Gabriel García Marquez

O escritor colombiano Gabriel García Marquez completaria hoje 91 anos.

Augusto Boal adaptou junto a Miguel Torres um conto de García Marquez: “La increíble y triste historia de Cándida Erendira y su abuela desalmada” e dirigiu em Paris, 1984 – “L’incroyable et triste histoire de la candide Erendira et de sa grand-mère diabolique” no Théâtre de l’Est Parisien (TEP).

Cartaz candida erendira

Cartaz da montagem de Candida Erendira no Théatre de l’Est Parisien. Disponível em nosso acervo: http://www.acervoaugustoboal.com.br

Boal dirige um nobel

Notícia no Brasil sobre montagem da peça em Paris. Disponível em nosso acervo: http://www.acervoaugustoboal.com.br

Março – mês de aniversário do Augusto Boal

Neste mês de março comemoramos o aniversário de Augusto Boal! No intuito de homenageá-lo o Instituto Augusto Boal compartilhará com vocês lembranças importantes de sua carreira artística.

Nascido no bairro da Penha, Rio de Janeiro, começou jovem seus estudos na Faculdade de Química. Sua primeira aproximação com a cultura foi ali mesmo, no Diretório Acadêmico de seu curso onde se candidatou a vaga de Diretor do Departamento Cultural.

Após o término da faculdade, Augusto Boal convence o pai de que tem que fazer uma especialização em química no exterior. Na verdade, Boal já buscava aproximação com o teatro e escolheu ir para onde poderia estudar melhor sua paixão:

“Meu pai me deu direito a um ano de especialização no exterior. Podia estudar um ano inteiro. Engenharia Química, bem entendido. Pensei na França (tinha visto espetáculos franceses no Municipal), e nos Estados Unidos (gostava de O`Neill, Miller, Williams…) Mas teria que estudar petróleos e plásticos misturados com teatro.”

E Boal fez então os seus primeiros voos: teatral e geográfico – foi para os Estados Unidos estudar química e teatro. Foi estudando lá, na Columbia University, que se descobrira dramaturgo.

“Mr. Boal, you are a playwriter!”- disse John Gassner, renomado dramaturgo norte americano e na ocasião professor de Augusto Boal.

Curiosidade: graças a este diploma de especialização em química, mais tarde Boal conseguiu dar aulas na Universidade de Sorbonne, no seu exílio na França.

Trechos grifados tirados do livro Hamlet e o Filho do Padeiro, Memórias imaginadas de Augusto Boal, 2000 e curiosidade compartilhada por Cecilia Thumim Boal.

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Augusto Boal em sua primeira viagem para Nova York. Fotografia disponível em nosso acervo: http://www.acervoaugustoboal.com.br

O PALAVRÃO: EIS A QUESTÃO

O uso dos palavrões (e a censura deles) nas peças de teatro virou uma questão depois que uma deputada Conceição da Costa Neves denunciou o uso de palavrões na peça “Roda Viva” em 1968, dizendo que esta atacava “a moral e os bons costumes”. A Classe Teatral não deixou barato a denúncia. Além do Manifesto Contra o Palavrão, já postado anteriormente no blog, a classe teatral convocou um debate, conforme podemos ver na notícia abaixo, para reclamar seus direitos. Augusto Boal esteve presente neste debate.

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Imagem de jornal disponível em nosso acervo: http://www.acervoaugustoboal.com.br

MANIFESTO CONTRA O PALAVRÃO

Em 1968, no ano da Feira Paulista de Opinião, a Classe Teatral escreveu um Manifesto Contra o Palavrão, ironizando a censura. Eles contestavam contra os palavrões: DITADURA, CENSURA, ANALFABETISMOS, ACORDO MEC-USAID, FOME, ARROCHO SALARIAL, NAPALM, APOSENTADORIAS DOS DEPUTADOS e LATIFÚNDIO.

Hoje, 2018, 50 anos depois, contra quais palavrões devemos lutar?

Manifesto contra o palavrao

Teatro declara guerra à Censura

Matéria de Jornal A Gazeta do 12 de junho de 1968 sobre articulação do Arena contra censura e repressão política na montagem da Feira Paulista de Opinião. A reportagem também relata a prisão de um estudante no teatro Galpão.

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“MOVIMENTAÇÃO

Os artistas e diretores reuniram-se, então, no “plenarinho” da Assembleia Legislativa, com os deputados que apoiam o seu movimento, decidindo, a partir daí, evoluir para uma posição de briga, pois, segundo Augusto Boal, responsável pela encenação, os artistas brasileiros “estão deixando de ser os bobos da corte e não aceitarão mais a interferência da Censura, quase sempre descabida e sem nexo”. (…) Continuar lendo

“A Polícia também foi ao teatro sábado”

“Sábado, a polícia não deixou que a “I Feira Paulista de Opinião” fôsse encenada no Ruth Escobar: ocupou o teatro. Mas a peça foi levada “de qualquer jeito”, como protesto, no Maria Della Costa.

A Polícia Federal passou quase toda a noite de sábado na porta do Teatro Ruth Escobar, mas não conseguiu impedir a encenação da I Feira Paulista de Opinião, peça em que a Censura Federal fez 84 cortes.

O espetáculo, de protesto, foi considerado pela classe teatral uma “desobediência civil” às determinações da Censura: ninguém concorda com os cortes da peça e a classe teatral decidiram às seis horas da tarde de sábado, no Teatro Ruth Escobar, apresentar o espetáculo “de qualquer jeito” e afirmaram que continuarão levando a peça em vários lugares, ainda que ela seja proibida.

Na assembleia do Ruth Escobar, os artistas lembraram que a peça foi levada a Brasília há dois meses, para ser julgada pela Censura. Mas no dia da estreia ela ainda não tinha sido liberada. Então, eles resolveram fazer um ensaio geral, mostrando o espetáculo para o maior número possível de pessoas. Continuar lendo

O que pensa você da arte de esquerda?

“Os reacionários procuram sempre, a qualquer pretexto, dividir a esquerda. A luta que deve ser conduzida contra eles é, às vezes, por eles conduzida no seio da própria esquerda. Por isso, nós — festivos, sérios ou sisudos — devemos nos precaver. Nós que, em diferentes graus, desejamos modificações radicais na arte e na sociedade, devemos evitar que diferenças táticas de cada grupo artístico se transformem numa estratégia global suicida. O que os reacionários desejam é ver a esquerda transformada em saco de gatos; desejam que a esquerda se derrote a si mesma. Contra isso devemos todos reagir: temos o dever de impedi-lo.

Porém, a pretexto de não dividir, não temos também o direito de calar nossas divergências. Pelo contrário: as diferentes tendências da nossa arte atual serão mais bem entendidas através do cotejo de metas e processos. Isto é necessário, principalmente neste momento em que toda a arte de esquerda enfrenta a necessidade de recolocar os seus processos e as suas metas. O choque entre as diversas tendências não deve significar a predominância final de nenhuma, já que todas devem ser superadas, pois foram também superadas as circunstâncias políticas que as determinaram, cada uma no seu momento.

Dentro da esquerda, portanto, toda discussão será válida sempre que sirva para apressar a derrota da reação. E que isto fique bem claro: a palavra “reação” não deve ser entendida como uma entidade abstrata, irreal, puro conceito, mas, ao contrário, uma entidade concreta, bem organizada e eficaz. “Reação” é o atual governo oligarca, americanófilo, pauperizador do povo e desnacionalizador das riquezas do país; “reação” são as suas forças repressivas, caçadoras de bruxas, e todos os seus departamentos, independentemente de farda ou traje civil; é o snt, o inc, é a censura federal, estadual ou municipal e todas as suas delegacias; são os critérios de subvenções e proibições; e são também todos os artistas de teatro, cine ou TV que se esquecem de que a principal tarefa de todo cidadão, através da arte ou de qualquer outra ferramenta, é a de libertar o Brasil do seu atual estado de país economicamente ocupado e derrotar o invasor, o “inimigo do gênero humano”, segundo a formulação precisa de um pensador latino-americano recentemente assassinado.

Assim, antes que a esquerda artística se agrida a si mesma deve procurar destruir todas as manifestações direitistas. E o primeiro passo para isso é a discussão aberta e ampla dos nossos principais temas. Isto, a direita não poderá jamais fazer, dado que a sua característica principal é a hipocrisia. Continuar lendo