Torquemada na Venezuela

A peça “Torquemeda”, escrita por Augusto Boal durante a prisão durante da Ditadura Militar brasileira, foi também encenada na Universidad Central de Venezuela pelo diretor Herman Lejter em 1973.

A peça foi montada com direção de Augusto Boal pela primeira vez em 1971 na Feira Latino-americana de Opinião. Como relatava as violências sofridas dentro do cárcere durante a ditadura militar no Brasil, o governo brasileiro tentou impedir que a peça fosse encenada em outras partes do mundo. Como reação, diversos diretores latino-americanos fizeram apresentações da peça em seus países. É o caso da montagem universitária na Venezuela, assim como no Peru e na Colombia.

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Registro de encenação de “Torquemada” na Universidad Central de Venezuela, em Caracas, 1973. Imagem disponível em nosso banco de dados online:  http://www.acervoaugustoboal.com.br/i

Torquemada Venezuela (dragged)

Capa do programa da peça.

 

“Animalia” de Gianfrancesco Guarnieri na Feira Latino-americana de Opinião

Em 1972 Augusto Boal dirige na St Clemment´s Church em Nova York, a Feira Latino-americana de Opinião, produzida pelo TOLA (Theatre of Latin America) e baseada na Feira Paulista de Opinião criada pelo Teatro de Arena em 1968.

Objetivo principal das Feiras organizadas por Boal era que se reunissem vários pensadores de esquerda para que juntos elaborassem saídas para as situações de repressão vividas pelos países da América Latina.

A peça “Animalia”, escrita e dirigida por Gianfrancesco Guarnieri, foi apresentada em ambas as Feiras. O tema principal da narrativa é a influência dos meios de comunicação e como a indústria cultural colabora com a alienação de massas. São representados diferentes grupos sociais e fica evidente a fragmentação da esquerda no Brasil durante a ditadura militar. Guarnieri utiliza a metáfora e a alegoria, recursos que serão largamente explorados em sua trajetória como dramaturgo.

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Atores em cena de “Animalia” na Primeira Feira Paulista de Opinião (1968). Foto de Derly Marques disponível em nosso Banco de Dados online: http://www.acervoaugustoboal.com.br/

Renato Consorte, que ontem completaria 93 anos, atuou na apresentação de “Animália”, na Primeira Feira Paulista de Opinião. Consorte iniciou sua trajetória com o Teatro de Arena no espetáculo “Arena conta Tiradentes” e em seguida, atuou em diversos trabalhos do grupo, sendo um importante integrante.

Acervo Instituto Algusto Boal

Renato Consorte em cena de “Animalia” (1968). Foto de Derly Marques disponível em nosso Banco de Dados online: http://www.acervoaugustoboal.com.br/

 

 

 

 

 

Torquemada em Buenos Aires

Augusto Boal deixou o Brasil em 1971, após ser liberado do Presídio Tiradentes em São Paulo, onde foi preso e torturado durante a Ditadura Militar brasileira.
 
Em Dezembro de 1971 encenou a peça “Torquemada” na New York University, com alunos da Universidade, em que a figura do inquisidor espanhol Torquemada, conhecido por sua crueldade durante o reino de Aragão e Castela de 1478 a 1494, retoma o sistema corrupto e violento que se instaurava no continente latino-americano.
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Ator em cena de “Torquemada”

Em seguida, Boal e sua família seguiram para o exílio em Buenos Aires, onde residiram até 1976. A peça foi montada e dirigida por ele em Buenos Aires em junho de 1972 no T
eatro do Centro e em outubro do mesmo ano na Sala Planeta. Sobre a apresentação de “Torquemada” em Buenos Aires, Augusto Boal escreveu em seu livro “Hamlet e o filho do padeiro”:
 
“Dirigi Torquemada. Não acreditava no que me havia acontecido. Precisava vê-lo acontecer fora de mim, em cena, para que me pudesse ver, separar-me de mim. Eu e a palavra, eu e o ator. Só assim me entenderia. Não me bastava espelho nem memória: precisava me ver em alguém que me roubasse o nome, o Augusto Boal que eu pensava ser, que trazia colado ao rosto, às mãos, ao peito. Já não sabia quem eu era ou tinha sido. Queria ouvir palavras que pronunciei na tortura. Voz empostada de ator bem treinado reproduzindo gritos roucos. Ver-me, longe de mim. Dirigir-me como dirijo atores.”
Torquemada BuA (dragged)

Recorte de publicação de Augusto Boal em “El milagro brasileño – Diario dependiente del State Department”, em Buenos Aires.

“El avión negro” na Feira Latino-americana de Opinião

Uma das peças encenadas na Feira Latino-americana de Opinião em Nova York em 1972 foi “El avión negro”, escritas pelos argentinos Roberto Cossa, Germán Rozenmacher, Carlos Somigliana e Ricardo Talesnik, com prólogo de Ricardo Halac.

A peça é uma conjectura sobre as reações de diferentes setores da sociedade argentina de um possível retorno de Juan Perón, exilado em 1964, a Argentina e foi de profunda importância para o país, principalmente por inaugurar um ciclo de obras de intenções políticas evidentes.

A pesquisadora Laura Mogliani falou sobre a peça no site do Teatro del pueblo, acesse aqui

 

El avion negro FW

Foto encontrada no site: http://www.ricardotalesnik.com.ar/

Torquemada na New York University

A peça “Torquemada”, escrita por Augusto Boal durante sua prisão na Ditadura Militar foi encenada e dirigida por ele pela primeira vez em Dezembro de 1971 na New York University, com alunos da Universidade.

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Foto de Mark Kane

 

“Torquemada conta minha vida na cela do Presídio Tiradentes, tenta contar a vida do povo no imenso presídio que transformaram o Brasil”, Boal diz em seu texto “Trajetória de uma dramaturgia”, publicado em 1986 no livro Teatro de Augusto Boal – volume 1 pela Editora Hucitec.

Em 1976 o Itamaraty tenta impedir a encenação da peça mesmo em espaços fora do Brasil e em muitos lugares são planejadas leituras dramatizadas de seu texto em protesto a censura.

Acesse mais fotos de “Torquemada” em nosso acervo:http://www.acervoaugustoboal.com.br/

Feira Latino-americana de Opinião

Em 1971 Augusto Boal foi preso por agentes da repressão da Ditadura Militar e encarcerado por dois meses no presídio Tiradentes em São Paulo. Logo após sua libertação Augusto Boal vai aos Estados Unidos e em seguida parte para o exílio em Buenos Aires, onde fica até 1976.

Em 1972 Augusto Boal dirige na St Clemment´s Church em Nova York, a Feira Latino-americana de Opinião, produzida pelo TOLA (Theatre of Latin America) e baseada na Feira Paulista de Opinião criada pelo Teatro de Arena em 1968.

Boal encena a peça “Torquemada”, que concebeu enquanto estava preso no presídio Tiradentes e retrata as cenas de tortura que viveu. São encenadas também “Guardian angel” de Boal, “Animália” de Gianfrancesco Guarnieri, “El avión negro” do argentino Roberto Cossa, “El gallo” do peruano Victor Zavala Cataño; “La autopsia” do colombiano Enrique Buenaventura e “Man does not die by bread alone” do chileno Jorge Díaz.

Reprodução de cartaz, peça de Algusto Boal, acervo Cecilia Boal

A cenografia foi de Helio Oiticica, que também idealizou o cartaz aqui publicado.

Também já publicamos o Programa da Feira Latino-americana: https://goo.gl/DG7WZD