“50 anos da ditadura no Brasil: memórias e reflexões”

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No marco da descomemoração dos 50 anos da ditadura civil-militar no Brasil, o Instituto de Estudos da Religião (ISER) convida para o lançamento da nova edição da revista Comunicações do ISER, intitulada “50 anos da ditadura no Brasil: memórias e reflexões”. Este número disponibiliza uma compilação de artigos e entrevistas produzidos ao longo do processo de monitoramento da Comissão Nacional da Verdade pelo ISER e publicizados por meio da revista.

Na ocasião, será lançado o IV Relatório de Monitoramento da Comissão Nacional da Verdade, que sintetiza as informações sobre o seu quarto semestre de funcionamento (novembro de 2013 a maio de 2014), além de análises críticas e valorativas sobre o processo político observado, dando continuidade aos relatórios produzidos pelo ISER semestralmente.

O evento acontecerá no prédio do ISER, dia 24 de setembro, às 18h30, no Salão Pablo e Ana, na Rua do Russel, 76, 2º andar, Glória.

Colóquios e Exposições sobre os 50 anos do Golpe

1) Exposição “Resistir é Preciso…”, criada pelo Instituto Vladimir Herzog, é um projeto pioneiro, de longo alcance, que apresenta fragmentos da história do Brasil, a partir das publicações e das pessoas – jornalistas, escritores, estudantes e ativistas políticos – que resistiram à ditadura militar brasileira através da palavra impressa.

Local: CCBB (Rua Primeiro de Março, 66, Centro)
Data: Até 28 de Abril
Link: http://www.resistirepreciso.org.br/ccbb/

2) Exposição “Em 1964 – Arte e cultura no ano do golpe”

O Instituto Moreira Salles dedicará parte de sua programação anual para discutir os 50 anos do golpe militar que instalou a ditadura no Brasil. Em 1964 propõe uma imersão neste momento decisivo para o país a partir do ponto de vista de artistas e intelectuais cujos acervos estão sob a guarda do IMS ou que têm vínculos diretos com suas atividades.
Local: IMS (Rua Marquês de São Vicente, 476, Gávea)
Data: até 23 de Novembro
Link: http://www.artehall.com.br/agenda/em-1964-arte-e-cultura-no-ano-do-golpe-no-instituto-moreira-salles-rio-de-janeiro/

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Grande Henfil

Os setenta anos do cartunista Henfil

Traço rápido do mineiro fustigava medo generalizado buscando brechas na censura
05 de fevereiro de 2014 | 3h 00
Luiz Zanin Oricchio – O Estado de S. Paulo

Se estivesse vivo, Henrique de Souza Filho faria 70 anos hoje. Quem? Henfil, ora! Quem não o conheceu em sua época? Afinal, seu traço rápido e cheio de movimento deu origem a personagens que entraram para o imaginário brasileiro nos anos 70 em especial: a Graúna, o bode Francisco Orellana, o cangaceiro Zeferino, os Fradinhos. Henfil foi superconhecido de uma geração que ficava esperando, com água na boca, seus novos cartuns.

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O cartunista Henrique de Souza Filho, o Henfil – Divulgação

O cartunista Henrique de Souza Filho, o Henfil
Com seus personagens, Henfil brincava com os estereótipos. Graúna, o Cangaceiro e o bode, por exemplo, apareciam sempre em trio. O cangaceiro Zeferino era um clichê do nordestino machista e violento. Graúna era analfabeta, mas de inteligência viva. Ela poderia encarnar aquilo que Ariano Suassuna definiu em seu Auto da Compadecida: “a esperteza é a coragem do pobre”. O bode Orellana ironizava o intelectual livresco (a comida preferida do bode eram os livros), com muita cultura, porém com profunda ignorância das condições reais em que vivia o povo e como ele pensava. Continuar lendo

Opinião no IMS

“O Instituto Moreira Salles dedicará parte de sua programação anual para discutir os 50 anos do golpe militar que instalou a ditadura no Brasil. Em 1964 propõe uma imersão neste momento decisivo para o país a partir do ponto de vista de artistas e intelectuais cujos acervos estão sob a guarda do IMS ou que têm vínculos diretos com suas atividades.

Em 8 de fevereiro, às 19h, o IMS reviverá o show Opinião, espetáculo que marcou 1964. As músicas serão interpretadas pela cantora Joyce e pelo grupo Casuarina. O jornalista e escritor Sérgio Cabral participará contando histórias do show original. Na época, mais de 100 mil pessoas em várias cidades assistiram ao espetáculo, que tinha como proposta discutir a complexidade social e política do momento.”

IMS - Opinião

Show Opinião

Data: 8.02, às 19h

Ingressos:
R$ 40,00 (inteira) e R$ 20,00 (meia)
Venda de 2 ingressos por pessoa. Sujeito a lotação.
Mais informações em: http://ims.uol.com.br/em-1964/D1336

*Material retirado do site do IMS*

Show Opinião: engajamento e intervenção no palco pós-1964

Por Mariana Figueiró Klafke

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como requisito parcial à obtenção do grau de Licenciatura em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Professor Orientador: Dr. Homero José Vizeu Araújo

Instituto – Porque escolher o Show Opinião como objeto de estudo?

Mariana – Eu tinha interesse pelo trabalho do Boal desde 2010. Meu primeiro contato foi através do texto “Cultura e Política”, do Roberto Schwarz. Logo comecei a ler livros do Boal e ampliei meu interesse sobre teatro brasileiro moderno. Também na mesma época conheci um casal de atores que trabalham com Teatro do Oprimido, um deles formado como curinga pelo CTO do Rio, e nós formamos, com outros amigos, uma ONG. Um dos projetos desta ONG é um curso de teatro que utiliza a metodologia do Teatro do Oprimido – eu inclusive fiz a primeira edição como aluna. Meu interesse pela obra do Boal é acadêmico e político.

No final de 2012, fiz uma disciplina chamada Canção Popular Brasileira e resolvi fazer meu ensaio final sobre o Show Opinião, pelo qual sempre tive adoração. Além disso, o show era uma referência recorrente em textos que eu estudava no grupo de pesquisa do qual faço parte, Literatura e nacional-desenvolvimentismo: tensão na forma literária e promessas de integração social. Por ser a primeira reação artística ao golpe de 64, o Show Opinião é muito sintomático para estudar o impacto desta quebra (das promessas de integração social do período nacional-desenvolvimentista e democrático) na intelectualidade brasileira. Deste ensaio é que surgiu meu TCC. Meu projeto de dissertação inclui um novo passo, trazendo pro debate Arena conta Zumbi e Arena conta Tiradentes.

Trabalho de conclusão de curso – Show Opinião