MANIFESTO CONTRA O PALAVRÃO

Em 1968, no ano da Feira Paulista de Opinião, a Classe Teatral escreveu um Manifesto Contra o Palavrão, ironizando a censura. Eles contestavam contra os palavrões: DITADURA, CENSURA, ANALFABETISMOS, ACORDO MEC-USAID, FOME, ARROCHO SALARIAL, NAPALM, APOSENTADORIAS DOS DEPUTADOS e LATIFÚNDIO.

Hoje, 2018, 50 anos depois, contra quais palavrões devemos lutar?

Manifesto contra o palavrao

Teatro declara guerra à Censura

Matéria de Jornal A Gazeta do 12 de junho de 1968 sobre articulação do Arena contra censura e repressão política na montagem da Feira Paulista de Opinião. A reportagem também relata a prisão de um estudante no teatro Galpão.

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“MOVIMENTAÇÃO

Os artistas e diretores reuniram-se, então, no “plenarinho” da Assembleia Legislativa, com os deputados que apoiam o seu movimento, decidindo, a partir daí, evoluir para uma posição de briga, pois, segundo Augusto Boal, responsável pela encenação, os artistas brasileiros “estão deixando de ser os bobos da corte e não aceitarão mais a interferência da Censura, quase sempre descabida e sem nexo”. (…) Continuar lendo

“A Polícia também foi ao teatro sábado”

“Sábado, a polícia não deixou que a “I Feira Paulista de Opinião” fôsse encenada no Ruth Escobar: ocupou o teatro. Mas a peça foi levada “de qualquer jeito”, como protesto, no Maria Della Costa.

A Polícia Federal passou quase toda a noite de sábado na porta do Teatro Ruth Escobar, mas não conseguiu impedir a encenação da I Feira Paulista de Opinião, peça em que a Censura Federal fez 84 cortes.

O espetáculo, de protesto, foi considerado pela classe teatral uma “desobediência civil” às determinações da Censura: ninguém concorda com os cortes da peça e a classe teatral decidiram às seis horas da tarde de sábado, no Teatro Ruth Escobar, apresentar o espetáculo “de qualquer jeito” e afirmaram que continuarão levando a peça em vários lugares, ainda que ela seja proibida.

Na assembleia do Ruth Escobar, os artistas lembraram que a peça foi levada a Brasília há dois meses, para ser julgada pela Censura. Mas no dia da estreia ela ainda não tinha sido liberada. Então, eles resolveram fazer um ensaio geral, mostrando o espetáculo para o maior número possível de pessoas. Continuar lendo

Jô Soares sobre a I Feira Paulista de Opinião

“O ano de 1968 foi muito agitado para o pessoal do teatro. Numa conversa entre o Lauro César Muniz, o Augusto Boal, o Plínio Marcos e o Jorge Andrade, surgiu a ideia de fazer um espetáculo coletivo onde se procuraria responder à questão “O que pensa você do Brasil de hoje?”. Imediatamente o Boal propôs que o Teatro de Arena produzisse o evento, e eles convidaram o Gianfrancesco Guarniere e o Bráulio Pedroso para participar também. Os autores escreveram seis peças curtas: O líder (Lauro), É tua a história contada? (Bráulio), Animália (Guarniere), A receita (Jorge), Verde que te quero verde (Plínio) e A lua muito pequena e a caminhada perigosa (Boal). As peças eram entremeadas de canções: “Tema de abertura” (Edu Lobo), “Enquanto seu lobo não vem” (Caetano Veloso), “M.E.E.U.U. Brasil brasileiro” (Ary Toledo), “Espiral” (Sérgio Ricardo) e “Miserere nobis (Gilberto Gil). O Arena havia criado uma fórmula de unir o teatro com a música nos seus espetáculos de grande sucesso – Arena conta Zumbi e Arena conta Tiradentes – que funcionava muito bem, e a fórmula seria adaptada para a I Feira Paulista de Opinião.

Entre os corajosos atores que participaram da Feira estavam a Aracy Balabanian, o Renato Consorte, a Miriam Muniz, o Rolando Bondrin, a Cecília Thumim Boal, o Antonio Fagundes, o Luís Carlos Arutin, o Luiz Serra, o Zanoni Ferrite. No saguão do teatro, havia obras de artistas como Nelson Leirner (um longo túnel verde e amarelo), de Marcello Nitsche, do Mário Gruber, do Cláudio Tozzi. A cenografia e os figurinos foram do Marcos Weinstock, e a direção musical do maestro Carlos Castilho. Eu fiz o cartaz da Feira, baseado num antigo anúncio do Xarope São João, onde aparece a ilustração do homem sendo amordaçado, com a legenda “Larga-me… deixa-me gritar!”. No meu cartaz, lia-se: “Largue-me, deixe-me falar”. Na época, a divulgação mais efetiva do teatro era pregar cartazes em todos os muros da cidade, então São Paulo foi toda empapelada com o cartaz da Feira, o que me deixou superemocionado. A primeira vez que entrevistei Augusto Boal no meu talk show, ele me levou de presente o original do cartaz. Participei da Feira também com uma pintura que acabou dando muita repercussão, e me expôs ainda mais aos órgãos censores e repressores da ditadura. Ela retratava um general sentado na privada e tinha o título O repouso do guerreiro. O curioso é que, coincidentemente, no texto do Plínio Marcos para a I Feira Paulsita de Opinião tinha um militar do departamento de censura que ia ao banheiro, usava um capacete como penico e se limpava com o texto da uma peça. Dá pra ver que havia uma sintonia no grupo que se uniu em torno do evento. O Boal sempre abria o espetáculo dizendo que o evento era o primeiro ato de desobediência civil feito nos palcos e mostrava o meu quadro, que sempre provocava gargalhadas. Continuar lendo

Censura nunca mais!

“Como pode trabalhar um artista em ditadura, se o artista é aquele que, livre, cria o novo, e a ditadura é aquela que, fazendo calar, preserva o velho? Arte e ditadura são incompatíveis. Essas duas palavras se odeiam!”

Augusto Boal escreve sobre a Censura durante a Ditadura Militar em sua autobiografia “Hamlet e o filho do padeiro”.

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Na foto: Documento escrito pelo Teatro de Arena de São Paulo denunciando a Censura e repressão ocorrida durante a exibição da Primeira Feira Paulista de Opinião em 1968.

#CensuraNuncaMais #contraacensuraedifamacao #342Artes

Carta ao censor da 1ª Feira Paulista de Opinião

A Primeira Feira Paulista de Opinião foi produzida pelo Teatro de Arena em 1968, com direção de Augusto Boal.

Os atores enviam carta aos censores justificando a apresentação do espetáculo na íntegra. Logo em seguida a Censura libera a apresentação apenas se forem feitos 84 cortes no texto. Boal e os atores se negam a fazer os cortes e apresentam o espetáculo em um ato de “desobediência civil”.

Acesse aqui a carta em .pdf.

Durante o mês de Julho aqui no blog e no Facebook postaremos o #dossiedaFeira com matérias de jornal e registros da Primeira Feira Paulista de Opinião.

Programa da Primeira Feira Paulista de Opinião

Programa - Primeira Feira Paulista de Opinião (dragged)
A Primeira Feira Paulista de Opinião foi produzida pelo Teatro de Arena em 1968, com direção de Augusto Boal e reuniu dramaturgos como Lauro César Muniz, Bráulio Pedroso, Gianfrancesco Guarnieri, Plínio Marcos e Augusto Boal e compositores como Edu Lobo, Caetano Veloso, Ary Toledo, Sérgio Ricardo e Gilberto Gil. Os artistas deveriam criar obras levantando a questão: “O que pensa você do Brasil de hoje?”
A peça foi submetida à Censura, porém chegou a ser apresentada na íntegra. Em dezembro é instaurado o AI-5 (Ato Institucional 5) e a repressão e censura se agravam, não sendo mais possível apresentar a Feira.
Você pode acessar o programa da Primeira Feira Paulista de Opinião com o famoso texto de Augusto Boal “Que pensa você da arte de esquerda?” aqui.