Grande Henfil

Os setenta anos do cartunista Henfil

Traço rápido do mineiro fustigava medo generalizado buscando brechas na censura
05 de fevereiro de 2014 | 3h 00
Luiz Zanin Oricchio – O Estado de S. Paulo

Se estivesse vivo, Henrique de Souza Filho faria 70 anos hoje. Quem? Henfil, ora! Quem não o conheceu em sua época? Afinal, seu traço rápido e cheio de movimento deu origem a personagens que entraram para o imaginário brasileiro nos anos 70 em especial: a Graúna, o bode Francisco Orellana, o cangaceiro Zeferino, os Fradinhos. Henfil foi superconhecido de uma geração que ficava esperando, com água na boca, seus novos cartuns.

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O cartunista Henrique de Souza Filho, o Henfil – Divulgação

O cartunista Henrique de Souza Filho, o Henfil
Com seus personagens, Henfil brincava com os estereótipos. Graúna, o Cangaceiro e o bode, por exemplo, apareciam sempre em trio. O cangaceiro Zeferino era um clichê do nordestino machista e violento. Graúna era analfabeta, mas de inteligência viva. Ela poderia encarnar aquilo que Ariano Suassuna definiu em seu Auto da Compadecida: “a esperteza é a coragem do pobre”. O bode Orellana ironizava o intelectual livresco (a comida preferida do bode eram os livros), com muita cultura, porém com profunda ignorância das condições reais em que vivia o povo e como ele pensava. Continuar lendo

Show Opinião: engajamento e intervenção no palco pós-1964

Por Mariana Figueiró Klafke

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como requisito parcial à obtenção do grau de Licenciatura em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Professor Orientador: Dr. Homero José Vizeu Araújo

Instituto – Porque escolher o Show Opinião como objeto de estudo?

Mariana – Eu tinha interesse pelo trabalho do Boal desde 2010. Meu primeiro contato foi através do texto “Cultura e Política”, do Roberto Schwarz. Logo comecei a ler livros do Boal e ampliei meu interesse sobre teatro brasileiro moderno. Também na mesma época conheci um casal de atores que trabalham com Teatro do Oprimido, um deles formado como curinga pelo CTO do Rio, e nós formamos, com outros amigos, uma ONG. Um dos projetos desta ONG é um curso de teatro que utiliza a metodologia do Teatro do Oprimido – eu inclusive fiz a primeira edição como aluna. Meu interesse pela obra do Boal é acadêmico e político.

No final de 2012, fiz uma disciplina chamada Canção Popular Brasileira e resolvi fazer meu ensaio final sobre o Show Opinião, pelo qual sempre tive adoração. Além disso, o show era uma referência recorrente em textos que eu estudava no grupo de pesquisa do qual faço parte, Literatura e nacional-desenvolvimentismo: tensão na forma literária e promessas de integração social. Por ser a primeira reação artística ao golpe de 64, o Show Opinião é muito sintomático para estudar o impacto desta quebra (das promessas de integração social do período nacional-desenvolvimentista e democrático) na intelectualidade brasileira. Deste ensaio é que surgiu meu TCC. Meu projeto de dissertação inclui um novo passo, trazendo pro debate Arena conta Zumbi e Arena conta Tiradentes.

Trabalho de conclusão de curso – Show Opinião

Arte e Revolução

Ditadura Militar e Democracia no Brasil: História, Imagem e Testemunho 

A História da ditadura militar brasileira se tornou, nos últimos anos, uma área forte da pesquisa historiográfica nas universidades, mas ainda não se constituiu como ponto importante do currículo do ensino fundamental e médio. O livro Ditadura Militar e Democracia no Brasil (Rio de Janeiro: Ed. Ponteio, 2013) pretende ser uma contribuição para os professores trabalharem esse “tema sensível” com seus alunos nas escolas. Continuar lendo

Brecht e, modestamente, eu!

Por Augusto Boal

Bertolt Brecht  tem muito a ver com a minha vida teatral, e isso por muitas razões e de muitas maneiras. Curiosidade: comecei minha carreira como diretor profissional no mesmo ano, e quase no mesmo mês,  em que ele morreu, em 1956.

Sua primeira peça que dirigi foi “A Exceção e a Regra”, creio que em 1960, no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC paulista.  O elenco era composto exclusivamente de operários,  e nossas platéias também. Trata-se de uma peça simples que analisa as relações entre o patrão e o empregado, e a alienação de um ser humano a outro.

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