Conselho do Boal à curingas

Encontramos recentemente no computador de Boal estes comentários que certamente se referem a algum ensaio das peças de Teatro Fórum.

São conselhos especificamente dirigidos aos curingas: como são chamados os mediadores, os encarregados de organizar as participações do público e de sintetizar e analisar as propostas debatidas na cena.

“Acho que devemos dar muito mais atenção aos seguintes pontos que são fundamentais: 

  1. a proposta deve ser claramente definida: se é Dança do Trabalho deve ser formada por uma seqüência de tarefas repetitivas da profissão; se é a Vida na Comunidade, por um seqüência coerente de ações freqüentes. Quando se misturam propostas o resultado é misturado e, portanto, menos eficaz.

 

  1. os Curingas devem estar atentos para o fato de que os atores sempre podem fazer mais e melhor. A tendência deles, em um primeiro momento, é a de fazer os gestos miúdos, próximos à realidade. Os Curingas devem insistir em que, no palco, esses gestos devem ser ampliados, magnificados E DEVEM TOMAR CONTA DE TODO O CORPOe não apenas dos braços: O CORPO INTEIRO DEVE DANÇAR. Não que o corpo deva o tempo todo entrar em transe, pode ser dança suave, mas tem que ser integral.

 

  1. cada seqüência deve ser explorada com precisão para que se evite a confusão de não sabermos quem está fazendo o quê, e quando. Deve durar o tempo necessário para estimular os espectadores e para que sejam identificados e apreciados.

 

  1. ao usarmos o Espaço devemos usá-lo como um todo: o Espaço tem normalmente quatro ou cinco metros, por quatro ou cinco. Claro que os atores podem, em um determinado momento, ficarem todos em linha reta de frente para o público…  mas esse é um pobre aproveitamento do Espaço. Esses momentos não podem ser majoritários.

 

  1. Quando cada ator faz uma coisa diferente é lógico que se perca muitos detalhes porque não se pode tudo ver ao mesmo tempo. Os Curingas devem alternar: pode todo o elenco fazer a mesma coisa durante um certo tempo; podem-se formar grupos de dois ou de três, e cada grupo fazer uma coisa diferente. O que se perde é quando todo o elenco durante muito tempo faz, cada um, uma coisa diferente. Fazerem todos tudo igual o tempo todo pode ser monótono; fazer cada um a sua coisa, pode ser confuso.

 

  1. os Curingas devem pedir, durante os ensaios, que cada ator faça isoladamente todos os seus movimentos para que os possa observar, e para que os atores tomem consciência de que são importantes para o conjunto. Acontece que alguns atores pensam que, como são muitos em cena, a responsabilidade individual diminui. É exatamente o contrário: aumenta.”

Augusto Boal

 

 

Seminário ‘Raízes e Asas – Fundamentos Teóricos’ | Inscrições abertas!

De 24 a 27 de julho, no Centro de Teatro do Oprimido – CTO, acontece mais uma edição do Seminário Teórico Raízes e Asas I. Ministrado pela Curinga Internacional Bárbara Santos, ele tem como objetivo apresentar os fundamentos básicos para prática do Teatro do Oprimido, preservando sua identidade e legitimidade.

Raízes e Asas é um conjunto de três seminários teóricos que integram o programa KURINGA de qualificação em Teatro do Oprimido, composto por 10 módulos (formação, multiplicação e avaliação) que objetivam conjugar aprofundamento teórico à experimentação prática, discussão abstrata à concretização esclarecedora.

Este programa de qualificação faz parte da pesquisa e do processo de trabalho desenvolvido por praticantes de Teatro do Oprimido da Alemanha, Croácia, Espanha, Escócia, França, Itália e Portugal dentro do projeto “TOgether” que combina aprendizagem e aplicação (teoria e prática) para aperfeiçoar a aplicação do Método nos níveis regional e local.

O programa de qualificação conta com o apoio e a parceria do Centro de Teatro do Oprimido.

No seminário Raízes e Asas I, nos concentramos na abordagem dos conceitos fundadores do Teatro do Oprimido, os quais permitem a análise crítica da prática do Método. O processo de reflexão a ser desenvolvido pretende disponibilizar um arsenal teórico que possa servir de alicerce para a construção de uma práxis coerente.

• Panorama Histórico
A Árvore do Teatro do Oprimido

• Fundamentos Teóricos:
Ética
Solidariedade
Opressão (Oprimido: diferente de Vítima: diferente de Excluído)

• Práxis:
Multiplicação Criativa

Período: de 24 a 27 de Julho de 2012 | Horário: 10h as 18h

Local: Centro de Teatro do Oprimido – CTO
Av. Mem de Sá, 31, Lapa, Rio de Janeiro | Brasil

Inscrições: moniquerodrigues@ctorio.org.br

http://www.kuringa.org | www.cto.org.br