“Filha Moça” – peça censurada de Augusto Boal, 1956

A peça aqui publicada foi escrita por Augusto Boal em 1956 e inteiramente proibida pela censura.

É a peça de um principiante, uma história aparentemente ingênua. Porém, coloca questões interessantes e, detalhe não negligenciável, deveria ser montada pelo Teatro Experimental do Negro.

Destacamos um trecho do texto do censor, o senhor José Américo Cesar Cabral (vale ler o texto integralmente, o sr. Cabral parece muito se ufanar de sua condição emérita). Diz o sr Cabral:

“É lamentável que o Teatro Experimental do Negro escolha peças que ofendem a moral e os bons costumes para apresentar aos seus sócios, pessoa humildes e sem a devida compreensão (…)”

Sem a devida compreensão? O que é que os sócios do Teatro Experimental do Negro deveriam compreender?

Acho que não precisa de muita tradução, porém traduzindo, de acordo com a censura, o teatro deverá ser um modelo de comportamento e o modelo deverá ser a família branca, de classe média, ocidental e cristã.

O resto será proibido e censurado.

Filha Moça

Companhia Antropofágica realiza II Feira Antropofágica de Opinião em São Paulo

Encontro artístico é inspirado em feira de 1968 do idealizador do Teatro do Oprimido Augusto Boal. E questiona: “O que Pensa Você do Brasil de Hoje?

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São 40 grupos de teatro em quatro dias de eventos. São músicos, poetas, artistas plásticos e coletivos de cinema. Todos em torno de uma pergunta: “O que Pensa Você do Brasil de Hoje? Este é o mote da II Feira Antropofágica de Opinião produzida pela COMPANHIA ANTROPOFÁGICA, no evento que acontece de 04 a 07 de junho, das 14h às 22h, no Memorial da América Latina, na Barra Funda, São Paulo. Continuar lendo

Show Opinião: engajamento e intervenção no palco pós-1964

Por Mariana Figueiró Klafke

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como requisito parcial à obtenção do grau de Licenciatura em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Professor Orientador: Dr. Homero José Vizeu Araújo

Instituto – Porque escolher o Show Opinião como objeto de estudo?

Mariana – Eu tinha interesse pelo trabalho do Boal desde 2010. Meu primeiro contato foi através do texto “Cultura e Política”, do Roberto Schwarz. Logo comecei a ler livros do Boal e ampliei meu interesse sobre teatro brasileiro moderno. Também na mesma época conheci um casal de atores que trabalham com Teatro do Oprimido, um deles formado como curinga pelo CTO do Rio, e nós formamos, com outros amigos, uma ONG. Um dos projetos desta ONG é um curso de teatro que utiliza a metodologia do Teatro do Oprimido – eu inclusive fiz a primeira edição como aluna. Meu interesse pela obra do Boal é acadêmico e político.

No final de 2012, fiz uma disciplina chamada Canção Popular Brasileira e resolvi fazer meu ensaio final sobre o Show Opinião, pelo qual sempre tive adoração. Além disso, o show era uma referência recorrente em textos que eu estudava no grupo de pesquisa do qual faço parte, Literatura e nacional-desenvolvimentismo: tensão na forma literária e promessas de integração social. Por ser a primeira reação artística ao golpe de 64, o Show Opinião é muito sintomático para estudar o impacto desta quebra (das promessas de integração social do período nacional-desenvolvimentista e democrático) na intelectualidade brasileira. Deste ensaio é que surgiu meu TCC. Meu projeto de dissertação inclui um novo passo, trazendo pro debate Arena conta Zumbi e Arena conta Tiradentes.

Trabalho de conclusão de curso – Show Opinião

Arte e Revolução

Ditadura Militar e Democracia no Brasil: História, Imagem e Testemunho 

A História da ditadura militar brasileira se tornou, nos últimos anos, uma área forte da pesquisa historiográfica nas universidades, mas ainda não se constituiu como ponto importante do currículo do ensino fundamental e médio. O livro Ditadura Militar e Democracia no Brasil (Rio de Janeiro: Ed. Ponteio, 2013) pretende ser uma contribuição para os professores trabalharem esse “tema sensível” com seus alunos nas escolas. Continuar lendo