Flávio Império, cenógrafo do Teatro de Arena

Hoje Flávio Império estaria completando 82 anos.

Boal comenta em “Hamlet, O Filho do Padeiro” que Flávio começou a escrever cenários com ele, no Teatro Arena.

“Maria Teresa Vargas, nossa amiga, conhecia um jovem arquiteto, Flávio Império, que nunca tinha feito cenário mas tinha vasto talento pra pintar e construir com as mãos. Ao contrário de se espantar com a exiguidade, achou desafio. Foi me fazendo perguntas e, quando me dei conta, eu estava falando, ele desenhando.”

No Arena ele criou diversas cenografias de peças dirigidas por Boal como: O Melhor Juíz, O Rei; Um Bonde Chamado Desejo; Arena Conta Zumbi; Arena Conta Tiradentes.

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Juca de Oliveira, Flávio Império, Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri reunidos com o troféu do Prêmio Saci. Foto disponível em:http://www.acervoaugustoboal.com.br/

Maria Bethânia e o Show Opinião

O Show Opinião teve sua estreia dia 11 de dezembro de 1964 com Nara Leão, João do Valle e Zé Ketti no elenco. Semanas após a estreia, Nara Leão se afastou do espetáculo por problemas de saúde e indicou para lhe substituir uma cantora que havia conhecido na Bahia tempos antes: Maria Bethânia, que veio para o Rio de Janeiro na companhia de seu irmão, Caetano Veloso. Foi o início da carreira da cantora baiana, famosa por sua consagrada interpretação da música “Carcará”, composta por João do Vale e José Cândido.

Em “Hamlet e o filho do padeiro”, Augusto Boal relata seu primeiro contato com Bethânia:

Bethânia, figura impressionante: menina magra convicta, sólida voz que voava, enchendo a cena, descendo escadas, fugindo pelas janelas, transbordando ruas, avenidas, praias. Cedo, a voz de Bethânia transbordaria por toda Copacabana, Rio de Janeiro, mundo afora.

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Capa do programa de Opinião, disponível em: http://www.acervoaugustoboal.com.br/

 

Teuda Bara lê “Aqui ninguém é burro” de Augusto Boal

No início da década de 1990, Augusto Boal é eleito vereador do Rio de Janeiro pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Realizou seu mandato na Câmara de Vereadores entre 1993 e 1996. Ao final, publicou um livro chamado “Aqui ninguém burro”, com alguns de seus pronunciamentos-desabafos. O Instituto Augusto Boal convidou algumas pessoas para lerem trechos do livro. Teuda Bara, integrante do Grupo Galpão, lê trecho do capítulo “As leis do mercado e a lei do leão”.

Milton Gonçalves

Milton Gonçalves ingressou no Teatro de Arena de São Paulo em 1956 com a peça “Ratos e homens”, dirigida por Augusto Boal. O ator foi fundamental no início do grupo e na formação do Seminário de Dramaturgia.

Com o Teatro de Arena, atuou também nas peças”Eles não usam Black-Tie” (1957), “Chapetuba Futebol Clube” (1959), “Gente como a gente” (1959), “Revolução na América do Sul” (1960), “Pintado de Alegre” (1961), “O Testamento do Cangaceiro” (1961), “A Mandrágora” (1962) e “Arena Conta Zumbi” (1963).

Com 60 anos de carreira, comemoramos hoje os 84 anos de Milton Gonçalves e sua imensa contribuição para o teatro brasileiro.

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Milton Gonçalves e Flávio Migliaccio em cena de “Revolução na América do Sul” (1960)

 

 

Show Opinião, show-verdade

O Show Opinião surgiu após o Golpe de Estado de 1964. Com o aumento da repressão da ditadura militar no Brasil, o grupo do Teatro de Arena de São Paulo se separou e seus integrantes foram morar em outros estados.

Augusto Boal passou um tempo na cidade de Poços de Caldas (MG) e, em seguida, foi para o Rio de Janeiro. Nessa época, se uniu a membros do CPC da UNE (Centro Popular de Cultura da União Nacional de Estudantes) para criar um espetáculo como resposta à ditadura.

A resistência contra o governo militar se organizava na cidade e um dos espaços de efervescência político-cultural era o restaurante Zicartola, mantido por Cartola e sua mulher, Dona Zica. O local era o ponto de encontro de sambistas de destaque, dentre eles Nara Leão, Zé Ketti e João do Vale. Daí surgiu o Show Opinião, no qual cantores, cantando, contariam suas histórias:

Nosso show-verdade era diálogo: João lia a carta que escreveu ao pai, ao fugir de casa, menino; lia para Nara, lágrimas rolando, lágrimas que vestiam suas palavras. Nara respondia com ternura, olho no olho, carinhosa: “Carcará. Pega, mata e come”.  (Augusto Boal em sua autobiografia, “Hamlet e o filho do padeiro”)

Acervo Instituto Algusto Boal

Teatro Experimental do Negro

O Teatro Experimental do Negro (TEN) surgiu em 1944 e se propunha a trabalhar pela valorização social do negro no Brasil através da educação, da cultura e da arte. Abdias Nascimento, fundador do grupo, publicou este artigo relatando a importância do TEN no movimento negro e na história do teatro brasileiro.

Em 1957 o grupo estreou a peça “O mulato” do dramaturgo norte-americano Langson Hudges. Geraldo Campos de Oliveira foi um dos fundadores do TEN e falou um pouco sobre a peça e o movimento em reportagem:

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Matéria disponível em nosso Acervo Online