O PALAVRÃO: EIS A QUESTÃO

O uso dos palavrões (e a censura deles) nas peças de teatro virou uma questão depois que uma deputada Conceição da Costa Neves denunciou o uso de palavrões na peça “Roda Viva” em 1968, dizendo que esta atacava “a moral e os bons costumes”. A Classe Teatral não deixou barato a denúncia. Além do Manifesto Contra o Palavrão, já postado anteriormente no blog, a classe teatral convocou um debate, conforme podemos ver na notícia abaixo, para reclamar seus direitos. Augusto Boal esteve presente neste debate.

AB.ARVrj.001.1

Imagem de jornal disponível em nosso acervo: http://www.acervoaugustoboal.com.br

Teatro declara guerra à Censura

Matéria de Jornal A Gazeta do 12 de junho de 1968 sobre articulação do Arena contra censura e repressão política na montagem da Feira Paulista de Opinião. A reportagem também relata a prisão de um estudante no teatro Galpão.

AB.AFOj.001.5

“MOVIMENTAÇÃO

Os artistas e diretores reuniram-se, então, no “plenarinho” da Assembleia Legislativa, com os deputados que apoiam o seu movimento, decidindo, a partir daí, evoluir para uma posição de briga, pois, segundo Augusto Boal, responsável pela encenação, os artistas brasileiros “estão deixando de ser os bobos da corte e não aceitarão mais a interferência da Censura, quase sempre descabida e sem nexo”. (…) Continuar lendo

“A Polícia também foi ao teatro sábado”

“Sábado, a polícia não deixou que a “I Feira Paulista de Opinião” fôsse encenada no Ruth Escobar: ocupou o teatro. Mas a peça foi levada “de qualquer jeito”, como protesto, no Maria Della Costa.

A Polícia Federal passou quase toda a noite de sábado na porta do Teatro Ruth Escobar, mas não conseguiu impedir a encenação da I Feira Paulista de Opinião, peça em que a Censura Federal fez 84 cortes.

O espetáculo, de protesto, foi considerado pela classe teatral uma “desobediência civil” às determinações da Censura: ninguém concorda com os cortes da peça e a classe teatral decidiram às seis horas da tarde de sábado, no Teatro Ruth Escobar, apresentar o espetáculo “de qualquer jeito” e afirmaram que continuarão levando a peça em vários lugares, ainda que ela seja proibida.

Na assembleia do Ruth Escobar, os artistas lembraram que a peça foi levada a Brasília há dois meses, para ser julgada pela Censura. Mas no dia da estreia ela ainda não tinha sido liberada. Então, eles resolveram fazer um ensaio geral, mostrando o espetáculo para o maior número possível de pessoas. Continuar lendo

A Primeira Feira Paulista de Opinião na imprensa #dossiedaFeira

A Primeira Feira Paulista de Opinião foi produzida pelo Teatro de Arena em 1968, com direção de Augusto Boal.

Em setembro do mesmo ano o Teatro de Arena leva o espetáculo para o Rio de Janeiro a ser apresentado no Teatro Carioca, como publicado nesta matéria d´O Jornal em 15 de setembro de 1968, que pode ser acessada aqui.

Durante o mês de Julho aqui no facebook e no blog postaremos o #dossiedaFeira com matérias de jornal e registros da Primeira Feira Paulista de Opinião.

A Primeira Feira Paulista de Opinião na imprensa

A Primeira Feira Paulista de Opinião foi produzida pelo Teatro de Arena em 1968, com direção de Augusto Boal.

Os atores decidem apresentar a peça na íntegra no início de 1968, pois a Censura não havia se manifestado até o dia da estreia. Após a primeira apresentação a equipe é informada que o espetáculo só seria liberado após 84 cortes. Boal e os atores se negam a fazer os cortes e apresentam o espetáculo em um ato de “desobediência civil”.

Em junho o grupo apresenta o espetáculo em Santo André e os atores são impedidos de encenar a peça em São Paulo, como mostra a matéria do Jornal da Tarde publicada em 12 de junho de 1968. Acesse a matéria aqui.

Durante o mês de Julho aqui e no facebook postaremos o #dossiedaFeira com matérias de jornal e registros da Primeira Feira Paulista de Opinião.