“Animalia” de Gianfrancesco Guarnieri na Feira Latino-americana de Opinião

Em 1972 Augusto Boal dirige na St Clemment´s Church em Nova York, a Feira Latino-americana de Opinião, produzida pelo TOLA (Theatre of Latin America) e baseada na Feira Paulista de Opinião criada pelo Teatro de Arena em 1968.

Objetivo principal das Feiras organizadas por Boal era que se reunissem vários pensadores de esquerda para que juntos elaborassem saídas para as situações de repressão vividas pelos países da América Latina.

A peça “Animalia”, escrita e dirigida por Gianfrancesco Guarnieri, foi apresentada em ambas as Feiras. O tema principal da narrativa é a influência dos meios de comunicação e como a indústria cultural colabora com a alienação de massas. São representados diferentes grupos sociais e fica evidente a fragmentação da esquerda no Brasil durante a ditadura militar. Guarnieri utiliza a metáfora e a alegoria, recursos que serão largamente explorados em sua trajetória como dramaturgo.

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Atores em cena de “Animalia” na Primeira Feira Paulista de Opinião (1968). Foto de Derly Marques disponível em nosso Banco de Dados online: http://www.acervoaugustoboal.com.br/

Renato Consorte, que ontem completaria 93 anos, atuou na apresentação de “Animália”, na Primeira Feira Paulista de Opinião. Consorte iniciou sua trajetória com o Teatro de Arena no espetáculo “Arena conta Tiradentes” e em seguida, atuou em diversos trabalhos do grupo, sendo um importante integrante.

Acervo Instituto Algusto Boal

Renato Consorte em cena de “Animalia” (1968). Foto de Derly Marques disponível em nosso Banco de Dados online: http://www.acervoaugustoboal.com.br/

 

 

 

 

 

Torquemada no México

A peça Torquemeda, escrita por Augusto Boal durante a prisão durante da Ditadura Militar brasileira, foi encenada no Centro Libre de Experimentación Teatral y Artística de la Universidad Nacional Autónoma de México (CLETA – UNAM) em 1973.

O grupo de teatro venezuelano Rajatabla e seu diretor Carlos Giménez chegou ao México em 1972. Enquanto iniciava a montagem de Torquemada, Carlos Giménez foi deportado, violentamente retirado de sua hospedagem no México e colocado em um avião de retorno a Buenos Aires.

 

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Capa do Programa da peça encenada no México em 1973. Acesse em: http://www.acervoaugustoboal.com.br/

O espetáculo teve sua estréia em maio de 1973 no Foro Isabelino e ficou dois meses em temporada, dedicando as apresentações ao diretor Carlos Giménez.

 Sobre a estreia de Torquemada, Gerardo de la Torre conta em seu livro “Torquemada: contra viento y marea”:

 

A poucos dias da estreia, todo mundo – moças e rapazes cansados, porém cheios de vitalidade – correm, se preocupam em pintar as paredes, colocar a iluminação, varrer os camarins, colocar os botões no figurino. Ensaiam a tarde, de noite e de madrugada, se criticam e se auto-criticam.

Enrique Buenaventura na Feira Latino-americana de Opinião

Em 1972 Augusto Boal dirige na St Clemment´s Church em Nova York, a Feira Latino-americana de Opinião, produzida pelo TOLA (Theatre of Latin America) e baseada na Feira Paulista de Opinião criada pelo Teatro de Arena em 1968.

Um dos dramaturgos participantes foi o colombiano Enrique Buenaventura, que apresentou a peça “A autopsia”. A cena fazia parte de uma série denominada “Os papeis do inferno”, que abordavam diretamente a violência política colombiana.

As cenas descrevem situações cotidianas, mas extremamente violentas no país. São abordadas as múltiplas facetas da administração estatal abusiva, em que a morte, a tortura e muitas violações aos Direitos Humanos seguem sem nenhum tipo de penalização.

“A autopsia” coloca o medo como a principal forma de controle e foca naqueles que, mesmo sem participar de algum tipo de organização política, devem se submeter a ordens de certos comandos. É a história de um pai que precisa fazer a autopsia de um filho assassinado pelo Exército.

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Enrique Buenaventura na primeira sala do TEC (Teatro Experimental de Cali), fundado por ele (1969).

Foto retirada da página do autor: http://www.enriquebuenaventura.org/

 

Torquemada na New York University

A peça “Torquemada”, escrita por Augusto Boal durante sua prisão na Ditadura Militar foi encenada e dirigida por ele pela primeira vez em Dezembro de 1971 na New York University, com alunos da Universidade.

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Foto de Mark Kane

 

“Torquemada conta minha vida na cela do Presídio Tiradentes, tenta contar a vida do povo no imenso presídio que transformaram o Brasil”, Boal diz em seu texto “Trajetória de uma dramaturgia”, publicado em 1986 no livro Teatro de Augusto Boal – volume 1 pela Editora Hucitec.

Em 1976 o Itamaraty tenta impedir a encenação da peça mesmo em espaços fora do Brasil e em muitos lugares são planejadas leituras dramatizadas de seu texto em protesto a censura.

Acesse mais fotos de “Torquemada” em nosso acervo:http://www.acervoaugustoboal.com.br/

Augusto Boal, Miguel Torres e o Teatro El Local

Em setembro o Instituto Augusto Boal dedicará suas publicações a difusão do Teatro latino-americano, apresentando diversos grupos e suas conexões com o trabalho de Augusto Boal. Esta semana nos dedicamos ao teatro colombiano.

A Fundação Cultural Teatro El Local foi fundada em 1970 em Bogotá pelo dramaturgo e diretor Miguel Torres. Surgiu de uma efervescência de grupos teatrais na Colombia entre os anos de 1960 e 1970, como o já citado Teatro Experimental de Cali (TEC) e o La Candelaria.  O El Local tem uma rica trajetória reconhecida nacional e internacionalmente. Suas obras abordam temas como a justiça e os conflitos sociais, enfatizando a realidade latino-americana sem perder o foco na criação de uma dramaturgia propriamente colombiana. Em anos de funcionamento, o teatro realizou numerosas montagens teatrais, entre elas La siempreviva, selecionada como uma das cinco obras mais importantes do teatro colombiano do século XX.

Em 1973 Miguel Torres dirigiu a peça escrita por Augusto Boal O grande acordo internacional do Tio Patinhas.

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Em 1977 Miguel Torres adaptou e dirigiu no Teatro El Local o texto de Gabriel Garcia Marquez “A incrível e triste história de Cândida Erêndira e sua avó desalmada” e em 1983 Augusto Boal dirigiu a adaptação traduzida para o francês no TEP (Théatre de l´Est Parisien).

Acervo Instituto Algusto Boal

Todo material aqui divulgado pode ser acessado em nosso Acervo Online: http://www.acervoaugustoboal.com.br/

Mauricio Kartun e o teatro argentino

Em setembro o Instituto Augusto Boal dedicará suas publicações a difusão do Teatro Latino-americano, apresentando diversos grupos e suas conexões com o trabalho de Augusto Boal. Falaremos hoje de Mauricio Kartun, o autor da peça Ala de criados, que será apresentada no SESC Bom Retiro a partir do dia 15 de setembro, sexta-feira, com direção de Marco Antonio Rodrigues e parceria do Instituto Augusto Boal.

Mauricio Kartun é dramaturgo, diretor e professor de dramaturgia. Seu trabalho é de extrema importância para a dramaturgia argentina contemporânea. Suas obras da década de 1980 Chau Misterix, La Castia de los viejos e Cumbia morena cumbia são reconhecidas pela crítica teatral por trabalhar com o realismo reflexivo e utilizar ricos procedimentos teatrais.

Kartun fez parte do grupo teatral argentino El Machete, que encenou em 1973 na extinta Sala Planeta em Buenos Aires a peça “Ay, Ay! No hay Cristo que aguante, no hay!” adaptação de “Revolução na América do Sul”, com a direção de Augusto Boal.

Acervo Instituto Algusto Boal

Mauricio Kartun (à esquerda) e outros em cena da peça “Ay, Ay! No hay Cristo que aguante, no hay!” (1974)

A foto pode ser encontrada em nosso acervo online: http://www.acervoaugustoboal.com.br/

Em 1986 Mauricio Kartun participa a convite de Augusto Boal de um workshop sobre Teatro do Oprimido em Orvelte, norte de Holanda.

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Cecilia Boal, Mauricio Kartun e Augusto Boal em workshop em Orvelte, Holanda.

Kartun continua atuante no teatro argentino e é ganhador de diversos prêmios de dramaturgia. Em 2014 estreou sua peça Terrenal, escrita e dirigida por ele, que continua em cartaz no Teatro del Pueblo em Buenos Aires.