Augusto Boal, Miguel Torres e o Teatro El Local

Em setembro o Instituto Augusto Boal dedicará suas publicações a difusão do Teatro latino-americano, apresentando diversos grupos e suas conexões com o trabalho de Augusto Boal. Esta semana nos dedicamos ao teatro colombiano.

A Fundação Cultural Teatro El Local foi fundada em 1970 em Bogotá pelo dramaturgo e diretor Miguel Torres. Surgiu de uma efervescência de grupos teatrais na Colombia entre os anos de 1960 e 1970, como o já citado Teatro Experimental de Cali (TEC) e o La Candelaria.  O El Local tem uma rica trajetória reconhecida nacional e internacionalmente. Suas obras abordam temas como a justiça e os conflitos sociais, enfatizando a realidade latino-americana sem perder o foco na criação de uma dramaturgia propriamente colombiana. Em anos de funcionamento, o teatro realizou numerosas montagens teatrais, entre elas La siempreviva, selecionada como uma das cinco obras mais importantes do teatro colombiano do século XX.

Em 1973 Miguel Torres dirigiu a peça escrita por Augusto Boal O grande acordo internacional do Tio Patinhas.

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Em 1977 Miguel Torres adaptou e dirigiu no Teatro El Local o texto de Gabriel Garcia Marquez “A incrível e triste história de Cândida Erêndira e sua avó desalmada” e em 1983 Augusto Boal dirigiu a adaptação traduzida para o francês no TEP (Théatre de l´Est Parisien).

Acervo Instituto Algusto Boal

Todo material aqui divulgado pode ser acessado em nosso Acervo Online: http://www.acervoaugustoboal.com.br/

Mauricio Kartun e o teatro argentino

Em setembro o Instituto Augusto Boal dedicará suas publicações a difusão do Teatro Latino-americano, apresentando diversos grupos e suas conexões com o trabalho de Augusto Boal. Falaremos hoje de Mauricio Kartun, o autor da peça Ala de criados, que será apresentada no SESC Bom Retiro a partir do dia 15 de setembro, sexta-feira, com direção de Marco Antonio Rodrigues e parceria do Instituto Augusto Boal.

Mauricio Kartun é dramaturgo, diretor e professor de dramaturgia. Seu trabalho é de extrema importância para a dramaturgia argentina contemporânea. Suas obras da década de 1980 Chau Misterix, La Castia de los viejos e Cumbia morena cumbia são reconhecidas pela crítica teatral por trabalhar com o realismo reflexivo e utilizar ricos procedimentos teatrais.

Kartun fez parte do grupo teatral argentino El Machete, que encenou em 1973 na extinta Sala Planeta em Buenos Aires a peça “Ay, Ay! No hay Cristo que aguante, no hay!” adaptação de “Revolução na América do Sul”, com a direção de Augusto Boal.

Acervo Instituto Algusto Boal

Mauricio Kartun (à esquerda) e outros em cena da peça “Ay, Ay! No hay Cristo que aguante, no hay!” (1974)

A foto pode ser encontrada em nosso acervo online: http://www.acervoaugustoboal.com.br/

Em 1986 Mauricio Kartun participa a convite de Augusto Boal de um workshop sobre Teatro do Oprimido em Orvelte, norte de Holanda.

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Cecilia Boal, Mauricio Kartun e Augusto Boal em workshop em Orvelte, Holanda.

Kartun continua atuante no teatro argentino e é ganhador de diversos prêmios de dramaturgia. Em 2014 estreou sua peça Terrenal, escrita e dirigida por ele, que continua em cartaz no Teatro del Pueblo em Buenos Aires.

Torquemada no Peru

Em 1973 foi feita uma montagem da peça escrita por Augusto Boal “Torquemada” pelo Teatro Universitario de Trujillo. Augusto Boal escreveu o texto em 1971 após ser preso e torturado pelo Regime Militar. No livro “Teatro de Augusto Boal”(1968) o autor diz: “Torquemada” conta minha vida na cela do Presídio Tiradentes, tenta contar a vida do povo no imenso presídio em que transformaram o Brasil.”

Crítica do poeta peruano Manuel Ibañez Rosazza publicada em 1974:

 

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Acervo Instituto Algusto Boal

O cartaz de Torquemada no Teatro Universitario de Trujillo está também em nosso acervo online: http://www.acervoaugustoboal.com.br/

Augusto Boal no Peru

Em Setembro o Instituto Augusto Boal dedicará suas publicações a difusão do Teatro latino-americano, apresentando diversos grupos e suas conexões com o trabalho de Augusto Boal.

Em 1970 após o AI-5 (Ato Institucional numero 5) o Teatro de Arena viaja para fora do Brasil em turnê para Nova York, México, Peru e Argentina com as peças “Arena conta Zumbi”e “Arena conta Bolívar”.

Acervo Instituto Algusto Boal

Augusto Boal, Cecilia Thumim, Fabian Boal, Fernando Peixoto e duas pessoas não identificadas.

A foto encontra-se também em nosso acervo online: http://www.acervoaugustoboal.com.br/

 

Murro em ponta de faca em temporada no Paraná!

A partir de 18 de agosto a peça Murro em Ponta de Faca, escrita por Augusto Boal em 1974 e dirigida por Paulo José, estará em turnê por 11 cidades do Paraná.

Acompanhe a agenda pelo site: http://murroempontadefaca.redelivre.org.br/

Cecilia Boal fala sobre o espetáculo:

Resolvi aceitar o convite de Nena Inoue, convite urgente, porque ele vai me permitir contar uma historia. Muito se pode dizer sobre o exílio, sobre o sofrimento que causa ter que abandonar seu Pais, sua língua, seus amigos, tudo aquilo que nos dá identidade, para se tornar um estrangeiro. Poderia falar da dor de ser um estrangeiro, um estrangeiro de verdade, no quotidiano, sem nenhuma consideração filosófica

Coisas bem tristes! Por isso achei mais bonito, mais alegre e divertido contar como foi que o meu exílio começou. Conheci Augusto Boal em Buenos Aires em 1966. Eu era uma jovem atriz representando uma peça de teatro num teatro portenho enorme e sombrio. Um dia uma noticia sacudiu o teatro e as suas vetustas estruturas. Tinha chegado um diretor do Brasil. Naquela época o Brasil para mim ficava tão longe como a Austrália. Mas o diretor era charmoso, muito charmoso! E vinha antecedido de uma fama retumbante, era um revolucionário, um militante politico e teatral, um homem perseguido. E eis que este diretor aparece um pouco mais tarde no meu camarim para me convidar a participar do seu próximo espetáculo. Uma semana depois estávamos vivendo juntos. Vim com Boal para São Paulo e o acompanhei pelo mundo. Nunca mais nos separamos, ele foi o meu país. Muitos anos mais tarde, muitos mesmo, já morando de volta no Brasil, um dia me dei conta de uma coisa muito curiosa: a peça que eu representava no momento em que Boal apareceu no meu camarim era uma adaptação de um conto de Scholem Aleijem. É a historia de uma moça que se apaixona por um homem de circo e vai embora com ele. O conto se chama Destinos Errantes. E, de certa forma, o Boal foi sempre assim, um homem de teatro traçando um destino glorioso e mambembe, colado numa mala que guardava sempre pronta embaixo da cama. Porém, tantos desenraizamentos, tantos desterros, não abalaram nunca a sua força, a sua alegria, a sua imensa confiança nos seres humanos, na sua capacidade de transformação e na sua solidariedade O olhar do Boal sobre as coisas do mundo sempre foi um olhar confiante e generoso, alegre e divertido poderia falar horas sobre ele, escrever horas. Mas vou ficar por aqui.

Assistam à peça, ela fala mais e melhor do que eu. Bom espetáculo!

Paulo José fala sobre Murro em ponta de faca

Quando Nena me convidou para dirigir uma montagem de Murro em Ponta de Faca eu estava sem tempo nenhum. Mas Ficou aquela coceira mexendo no meu bestunto. Afinal, era uma forma de homenagear Augusto Pinto Boal, em artes Augusto Boal, e para nós, que havíamos trabalhado e aprendido tanto com ele, simplesmente Boal.

Boal trouxe para o Teatro de Arena o Método, forma abreviada de chamar o método que Constantin Stanislavski foi desenvolvendo em sua vida na arte.

Boal trouxe método ao nosso trabalho teatral, muitas vezes criativo, mas sem uma reflexão sobre o sentido da arte. Boal trouxe uma relação dialética entre paixão e ideologia, entre sentimento e razão, entre liberdade e responsabilidade. Num grupo teatral tão criativo como o Arena (tinha Guarnieri, tinha Juca de Oliveira, tinha Vianinha, tinha Chico de Assis, tinha Fauzi Arap, Flavio Migliaccio, Nelson Xavier, Milton Gonçalves, Ary Toledo, tinha tanta gente criativa!), alguém tinha de amarrar o guiso no gato, sistematizar as experiências, os laboratórios, o processo que leva um texto escrito a se transformar em teatro. Esse alguém era o Boal. Nós todos éramos adúlteros, tínhamos paixões pelo cinema, a tv nos seduzia, o Arena era um

entra-e-sai de recursos artísticos. Somente um sempre ficou segurando as pontas e as barras mais pesadas: ele, Boal. Em 1978 eu havia dirigido a primeira montagem de Murro em Ponta de Faca, sua peça mais pessoal, escrita durante seus anos de exílio. Uma peça emocionante, especialmente para nós, seus filhos/irmãos, que pudemos ter em mãos um documento precioso, mais do que uma peça teatral, um testemunho vivo de um exilado, mudando mais de país do que de sapatos, depois de prisão e

torturas no DOPS, OBAN, em São Paulo. A montagem de 78, que tinha produção de Othon Bastos, pretendia chamar a atenção sobre Boal, reforçando o movimento pró anistia. Infelizmente, quando Boal voltou ao Brasil a peça já havia saído de cartaz.

Passados mais de trinta anos, volto a vivenciar, como diz Boal, “as andanças de muita gente maravilhosa (cada qual no seu feitio) que eu andei encontrando, e  desencontrando, em tantos aeroportos, estações, gares, no sol ou na neve”.  Este espetáculo é um tributo a Boal, que nos deixou no ano passado.

Mas a equipe, elenco, recursos artísticos e técnicos, montada pela Nena, deixaria Boal orgulhoso, como deixaram este que vos escreve com a certeza que teatro vale a pena, o teatro nos engrandece, nos faz melhores. Não cito nomes para não cometer injustiças, mas considerem-se todos beijados e abraçados.

Vai começar a arrumação e desarrumação das malas no palco. E Boal, mais vivo do que nunca, em nós e em suas obras, diz que isso que estarão vendo, meus caros amigos, é a vida que nós estamos vivendo. É bom teatro mas não é teatro: é verdade líquida e certa. Me lembra Walt Withman, na epígrafe de seu Leaves of Grass:

CUIDADO,

QUEM TOCA NESTE LIVRO

TOCA NUM HOMEM

Paulo José

2010
Acesse o site da peça e acompanhe as apresentações que serão feitas em 11 cidades do Paraná em Agosto! No canal do Youtube Paulo José fala do processo de direção: https://goo.gl/2Ko9rz

A Primeira Feira Paulista de Opinião #dossiedaFeira

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A Primeira A Feira Paulista de Opinião foi produzida pelo Teatro de Arena em 1968, com direção de Augusto Boal. Os artistas deveriam criar obras levantando a questão: O que pensa o Brasil de hoje?

Em foto de Derly Marques, Myriam Muniz, Renato Consorte, Luiz Carlos Arutin (em primeiro plano), Luiz Serra e outros atores encenam “Animália”, de Gianfrancesco Guarnieri. Esta e demais fotos podem ser acessadas em nosso Acervo Online: http://www.acervoaugustoboal.com.br/

Durante o mês de Julho aqui no facebook e no blog postaremos o#dossiedaFeira com matérias de jornal e registros da Primeira Feira Paulista de Opinião.