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Capa do programa Arena conta Zumbi. Disponível em nosso acervo.

“Arena conta Zumbi”, peça de Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri estreou no Teatro de Arena em 1965. No programa da peça, os autores assinam o texto “Vivemos um tempo de guerra”:

“Vivemos um tempo de guerra. O mundo inteiro está inquieto. Em todos os campos da atividade humana esta inquietação determina o surgimento de novos processos e formas de enfrentar os novos desafios. Menos no teatro.

O teatro procura sempre apresentar imagens da vida social. Imagens perfeitas, corretas, segundo cada perspectiva de análise. No entanto, imagens estáticas. O teatro tradicional tenta paralisar, fixar no tempo e no espaço, realidades cambiantes. Pouco se tem tentado traduzir em arte o câmbio, a transformação.

Por isso, as novas realidades, os novos processos de análise, continuam utilizando as formas gastas, próprias para outros processos e outras realidades. O teatro é conceituável, definível: esta a sua maior limitação. Quando afirmamos o que é o teatro, negamos suas outras potências.

Nesta etapa do seu desenvolvimento o Arena desconhece o que é o teatro, queremos apenas contar uma história, segundo a nossa perspectiva. Dispomos de uma arena, alguns velhos refletores munidos de lâmpadas (aproximadamente Cr$ 20.000 cada), acomodações para pouco menos de duzentas pessoas, roupas, madeiras, telas, projetores, etc. Somos um grupo de gente boa, diretores, atores, técnicos, autores, eletricistas, porteiros, bilheteiros. Somos quase vinte. Pensamos parecido. Esta gente reunida, usando o material disponível, vai contar uma história que tem moral escondida. Uma história que, esperamos, vai ajudar todo o mundo a entender melhor as coisas ocorridas, e as que estão acontecendo. Que deve ajudar todo o mundo a ver com maior clareza.

É uma história complicada, cheia de gente misturada, coisa verdadeira faltando dados que foram preenchidos pela imaginação. Para fazer uma peça assim, precisaríamos (se fôssemos convencionais) de mais prá lá de 700 atores, mais prá lá de trinta cenários, contando até um bojo de navio, uma floresta detalhada, casas grandes, senzalas, igrejas e pelourinhos. Já que não somos Teatro Nacional, nem temos mecenas dispostos a tudo, temos ao menos nós mesmos. Destes fatos concretos surgiram as novas técnicas que estamos usando em ARENA CONTA ZUMBI: personagem absolutamente desvinculado de ator (todo mundo faz todo mundo, mulher faz papel de homem sem dar bola prá essas coisas, etc.), narração fragmentada sem cronologia, fatos importantes misturados com coisa pouca, cenas dramáticas junto a documentos, fatos perdidos no tempo e notícias dos últimos jornais, anacronismos variados. Só uma unidade se mantém de todas quanto até hoje foram proclamadas: a unidade da ideia. Só uma ideia orientou a criação do texto e do espetáculo. Esta é a ideia contida no texto do bispo de Pernambuco: “o hábito da liberdade faz o homem perigoso”. Esta é a ideia: queremos ser livres.

O nosso espetáculo “Opinião” usava a verdade mais concreta, embora este fato acarretasse, muitas vezes, a impossibilidade de extrapolar: o fato concreto se singularizava. Em “Arena Conta Zumbi” procuramos ir além: usar o fato concreto, mas tendo sempre presente a necessidade de universalização dos dados apresentados. Se isto foi conseguido ou não, logo ficaremos sabendo.”

77 anos de Antônio Pedro

Antonio Pedro completa hoje 77 anos. O ator trabalhou com Augusto Boal no Teatro de Arena, encenando “Arena conta Zumbi” em 1969, “A resistível ascensão de Arturo Ui” de Bertold Brecht em 1970 e “Teatro Jornal – Primeira edição” no mesmo ano.

Reprodução acervo Instituto Algusto Boal

Na foto: Antônio Pedro e Lima Duarte em cena de “Arena conta Zumbi” (1970)

 

 

A Fábrica de Teatro Popular

Em 2017 se cumprem os 30 anos do belo projeto que nos trouxe de volta ao Brasil.

Por iniciativa de Darcy Ribeiro, um gênio, apaixonado e visionário, Boal, outro homem genial e apaixonado, veio trabalhar nos CIEPs, a genial invenção de Darcy. Não acho outra forma para descrevê-los.

Era impressionante ver os dois juntos, delirando, inventando, sonhando alto, dois furacões, duas tsunamis em ação. Faz bem à alma no meio de tanta, tanta, tanta mediocridade!!!!!

Fruto dos generosos delírios uma ideia: a Fábrica de Teatro Popular.

Animadores animados, usando teatro para discutir cidadania, direitos, igualdade.

Eucanãa, Silvia, Valéria,  Luiz Vaz, Luiz Boal, Rosa Luisa de Puerto Rico, Maria Libia, Noni, Claudete, Boal e eu.

Nos Cieps das periferias apresentado as nossas peças para o debate, debates que terminavam sempre com um farto lanche oferecido pelas experientes cozinheiras.

Saudades daquele tempo !! Como é possível que Darcy tenha perdido essa eleição?

No lugar de Darcy, Moreira Franco. No lugar dos Cieps:  escola integral, com as suas mães sociais, bibliotecas,  animadores culturais e escolas sucateadas.

Temos que aprender a cuidar melhor o que temos, a cuidar melhor dos brasileiros como Boal e Darcy porque são únicos, são nossos e são excepcionais.

Texto de Cecília Boal sobre a Fábrica de Teatro Popular

 

 

 

 

 

 

 

Volta a ser apresentada a Exposição Augusto Boal

EXPO BOAL UFRJO INSTITUTO AUGUSTO BOAL APRESENTA

“A exposição Augusto Boal volta a ser exibida agora nos salões da Casa do Estudante , hoje Forum de Ciencia e Cultura da Ufrj, na av Rui Barbosa , ao lado do hospital Fernandes Filgueiras
Queremos oferecer visitas comentadas para os estudantes que se interessem por teatro, mas também por politica, historia e ciencias sociais de maneira geral
Queremos mostrar as maravilhosas experiencias que existiram nos anos 70 e falar das ditaduras, dos golpes militares em America Latina que interromperam essas experiencias e as consequencias que isso teve para todos nos
Nossa exposição é a mostra de um homem de teatro e de um militante , da sua trajetoria
Ficamos a disposição de todos vocês para marcar as visitas e pedimos que nos ajudem na divulgação”