SALAS ABERTAS PARA AUGUSTO BOAL

Nesse mês de maio no Rio de Janeiro:

SALAS ABERTAS PARA AUGUSTO BOAL

Leituras da dramaturgia de Augusto Boal com estudantes

Salas abertas para Augusto Boal trata-se de uma proposta de encontros de leitura da dramaturgia do diretor teatral, dramaturgo e ensaísta, Augusto Boal, com estudantes do ensino médio, tendo como foco principal estudantes do Curso de Formação de Professores.

O objetivo é aproximar a obra dramatúrgica de Augusto Boal dos jovens, sobretudo de estudantes do ensino médio, e observar como estes textos dialogam hoje com este público. Avaliar o que, através das peças de Boal, é possível suscitar de conhecimento histórico e de reflexão política e social; e como a linguagem presente nos textos se comunica e mobiliza o jovem de hoje.

Estes encontros de leitura serão conduzidos pela atriz, narradora oral e dramaturga Luciana Zule, que há alguns anos vem experimentando a leitura de textos dramáticos com adolescentes e jovens como atividade cultural e também como apoio ao trabalho de alfabetização para alunos com dificuldades de aprendizagem.

 

Onde? Quando?

  • Nos dias 08/05; 09/05; 22/05 e 23/05 das 13:30 às 16h

Na Biblioteca Popular de Irajá – João do Rio

  • No dia 10/05 das 9h às 11:30 e 13:30 às 16h

Na Biblioteca Popular do Rio Comprido – Annita Porto Martins

  • Nos dias 14/05 e 15/05 das 13h30 às 16h

Na Biblioteca Popular da Tijuca

Discurso de Boal em reeleição do Lula, 2006

Os textos de Boal são sempre tão atuais e tão presentes. Compartilhamos então, com vocês, a fala que ele preparou para discurso em função da vitória do Lula em sua reeleição, feito no Canecão em 2006. 

No vídeo Augusto Boal proferindo o discurso e abaixo o texto na íntegra:

17 de Outubro, Rio de Janeiro

“Companheiras e Companheiros,

eu quero lembrar àqueles que são da minha idade – e quero revelar aos menorzinhos -, que errar faz muito bem à saúde… desde que se aprenda. Nós aprendemos muito, aprendemos que não podemos continuar errando os mesmos erros que erramos no nosso passado político. Nunca mais os erros de 64: nunca mais a divisão.

Como cada um de nós é uma unicidade, é natural que, mesmo quando pensamos a mesma coisa, pensemos essa mesma coisa de forma diferente. Cada gêmeo, cada família, cada torcedor de um mesmo time, cada membro de uma mesma associação antifascista, cada militante de cada partido político de esquerda, por mais que tenha, com os demais, um sólido denominador comum, pensa de forma diferente a mesma coisa igual. Isso é maravilhoso, é assim que se avança: cotejando opiniões, dialogando entre companheiros, manifestando dúvidas e hesitações. Continuar lendo

Encontro com a arte engajada latino-americana

No dia 28 de abril participaremos de um evento na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio): “Encontro com a arte engajada latino-americana: Engajado não é palavrão!”  (https://www.facebook.com/events/413723152386035/) onde serão, ao longo do dia, lidas peças de autores latino-americanos e terão espaços de conversa mediados pela Cecilia Boal.

Dentro da programação, contaremos com a leitura da peça “Ala de Criados” de Mauricio Kartun.

Mauricio Kartun é dramaturgo, diretor e professor de dramaturgia. Seu trabalho é de extrema importância para a dramaturgia argentina contemporânea. Suas obras da década de 1980 Chau Misterix, La Castia de los viejos e Cumbia morena cumbia são reconhecidas pela crítica teatral por trabalhar com o realismo reflexivo e utilizar ricos procedimentos teatrais.

Kartun fez parte do grupo teatral argentino El Machete, que encenou em 1973 na extinta Sala Planeta em Buenos Aires a peça “Ay, Ay! No hay Cristo que aguante, no hay!” adaptação de “Revolução na América do Sul”, com a direção de Augusto Boal.

 

Dia Mundial do Teatro

Em seu último ano de vida Boal escreveu este discurso em ocasião do Dia Mundial do Teatro. Pra encerrar essa semana na qual vivemos esta data mais uma vez, compartilhamos um pouco de Boal. Celebrando, também, o fim do mês de seu aniversário. Viva Boal!

Acervo Instituto Algusto Boal

Dia Mundial do Teatro,

27 março, 2009

            Todas as sociedades humanas são espetaculares no seu cotidiano, e produzem espetáculos em momentos especiais. São espetaculares como forma de organização social, e produzem espetáculos como este que vocês vieram ver.

            Mesmo quando inconscientes, as relações humanas são estruturadas em forma teatral: o uso do espaço, a linguagem do corpo, a escolha das palavras e a modulação das vozes, o confront de ideias e paixões, tudo que fazemos no palco fazemos sempre em nossas vidas: nós somos teatro!

            Não só casamentos e funerais são espetáculos, mas também os rituais cotidianos que, por sua familiaridade, não nos chegam à consciência. Não só pompas, mas também o café da manhã e os bons-dias, tímidos namoros e grandes conflitos passionais, uma sessão do Senado ou uma reunião diplomática: tudo é teatro.

            Uma das principais funções da nossa arte é tornar conscientes esses espetáculos da vida diária onde os atores são os próprios espectadores, o palco é a plateia e a plateia, palco. Somos todos artistas: fazendo teatro, aprendemos a ver aquilo que nos salta aos olhos, mas que somos incapazes de ver tão habituados estamos apenas a olhar. O que nos é familiar torna-se invisível: fazer teatro, ao contrário, ilumina o palco da nossa vida cotidiana.

            Em setembro do ano passado fomos surpreendidos por uma revelação teatral: nós, que pensávamos vive rem um mundo seguro apesar das guerras, genocídios, hecatombes e tortutas que aconteciam, sim, mas longe de nós em países distantes e selvagens, nós vivíamos seguros com nosso dinheiro guardado em um banco respeitável ou nas mãos de um honesto corretor da Bolsa – nós fomos informados de que esse dinheiro não existia, era virtual, feia ficção de alguns economistas que não eram ficção, nem eram seguros, nem respoeitáveis. Tudo não passava de mau teatro com triste enredo, onde ricos fecharam-se em reuniões secretas e de lá saíram com soluções mágicas. Nós, vítimas de suas decisões, continuamos espectadores sentados na últimas fila das galerias.

            Vinte anos atrás, eu dirigi Fedra de Racine, no Rio de Janeiro. O cenário era pobre; no chão, peles de vaca; em volta, bambus. Antes de começar o espetáculo, eu dizia aos meus atores: – “Agora acabou a ficção que fazemos no dia a dia. Quando cruzarem esses bambus, lá no palco, nennum de vocês tem o direito de mentir. Teatro é a Verdade Escondida”.

            Vendo o mundo além das aparências, vemos opressores e oprimidos em todas as sociedades, etnias, gêneros, classes e castas, vemos o mundo injusto e cruel. Temos a obrigação de inventar outro mundo porque sabemos que outro mundo é possível. Mas cabe a nós contruí-lo com nossas mãos entrando em cena, no palco e na vida.

            Assistam ao espetáculo que vai começar; depois, em suas casas com seus amigos, façam suas peças vocês mesmos e vejam o que jamais puderam ver: aquilo que salta aos olhos. Teatro não pode ser apenas um evento – é forma de vida!

            Atores somos todos nós, e cidadão não é aquele que vive em sociedade: é aquele que a transforma!”

Augusto Boal, 2009

Teatro do Oprimido no Fórum Social, 2003

Há quinze anos Augusto Boal participou do Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, e produziu a reflexão “O Teatro do Oprimido no Fórum Social, 2003”. Estamos em semana de Fórum Social novamente, dessa vez em Salvador, e além de compartilhar o texto de Boal, gostaríamos de fazer um convite a participar da programação de amanhã que contará com Diol Mamadou (Senegal), Movimento Sem Teto da Bahia (Bahia), Movimento Popular La Dignidad (Argentina) e Julian Boal em “O Teatro do Oprimido entre África e Latino-América”.

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“Teatro do Oprimido no Fórum Social, 2003

Todas as sociedades humanas se apresentam de forma mais ou menos organizada. Nelas, nós distinguimos certas camadas, possuidoras de certas funções mais ou menos determinadas. Cada camada, cada setor, cada agrupamento social, tem seus limites e suas metas mais ou menos precisos.

Todas as categorias sociais são definidas sempre como sendo “mais ou menos”, porque elas se referem a seres humanos, vivos e reais, e não a elementos químicos, como o oxigênio ou o plutônio, que podem ser purificados em laboratório, afim de que nos tragam, o primeiro, a vida, e o segundo, a morte. Estas são as fundamentais preocupações dos seres humanos: a vida e a morte! Ambas são puras!

Nós não corremos o risco de sermos puros – jamais nos encontraremos em estado de pureza absoluta, por maiores que sejam as nossas penitências, por mais bem intencionados que sejam os nossos corações e as nossas promessas. Seres humanos são, por sua natureza, ganga impura e não ouro nativo, como dizia, em referência à nossa língua, o poeta Olavo Bilac. Pelo menos nisso, eu sou freudiano clássico: somos todos porcos espinhos gregários, que sentimos a necessidade imperiosa de nos abraçarmos, e a fatalidade de nos espetarmos. Continuar lendo

É ARTE E CARNAVAL! A BARRA DA TIJUCA APRESENTA O TEATRO DO OPRIMIDO NA VIDA REAL

Em 2003 a Acadêmicos da Barra da Tijuca homenageou Boal e o Teatro do Oprimido. Compartilhamos com vocês a letra e o link do vídeo no youtube para acompanhar e cantar o samba enredo!

“A vida é o cenário desta trama
E o povo, nosso artista principal
Palavras e gestos unidos
Surge em ritos primitivos
A linguagem teatral
Na Grécia, o teatro vai às ruas
Porque o artista vai aonde o povo está
Vem amor… Divino Baco vem brindar orgias
Realizando fantasias, embriagando corações
Festa e dor… Em Roma o coliseu e as multidões
A opressão do elitismo, ditames e imposições

Roda o mundo pra chegar – de lá pra cá
Vem das terras de além mar – catequizar
Reza índio! Reza negro!
Eita povo rezadeiro!
São as origens do teatro brasileiro

Meu canto traz um tom de encanto
Tenho a minha “opinião”
Do teatro de revista ao teatro de arena
O esplendor de uma nação…
(meu Brasil)
Ó! Meu Brasil “trigueiro”
Teu solo viu nascer a obra de “Boal”
Respeite o meu pandeiro
Que embala a voz do oprimido contra o mal
Sou Zé-Ninguém! Eu sou de arrepiar!
(bravo!)
E roubo a cena nessa festa popular

Agora bate o tambor
Vem balançar!
Abre a cortina que eu vou
Me apresentar!
É arte, é carnaval, vem sambar!
Pode aplaudir que a Barra vai passar”

Acesse no youtube o  SAMBA ENREDO ACADEMICOS DA BARRA DA TIJUCA 2003