Abdias Nascimento e Augusto Boal

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Abdias Nascimento e Augusto Boal no lançamento do livro “Hamlet e o filho do padeiro” na Cinemateca do MAM (2000). Foto de Cristina Lacerda.

Foi através de Abdias Nascimento que Augusto Boal iniciou sua trajetória como dramaturgo, escrevendo peças para o Teatro Experimental do Negro (TEN). Em seu autobiografia “Hamlet e o filho do padeiro”, Augusto Boal fala de sua relação com o amigo:

Foi no Vermelinho que conheci Abdias. Antes, minha relação com os negros era de piedade: sentia pena dos negros da Penha. Depois, passou a ser de admiração: como era possível, cercados por tanto preconceito, que os negros sobressaíssem, fosse no que fosse? No teatro, por exemplo, personagem negro era escravo ou criado. Para o papel de Otelo, nem pensar! Pele: estigma!

Meus personagens passaram a ser menos piegas e mais revoltados. Passei a gostar de subversivos combatentes: abaixo a melancolia!

Cora Farenstein fala de evento sobre Augusto Boal e Brecht em Buenos Aires

Dia 31 de outubro aconteceu no Paco Urondo Centro Cultural em Buenos Aires o encontro sobre as poéticas de Bertolt Brecht e Augusto Boal no ciclo de debates “Hacer teatro, hacer política”. Cora Farenstein, coordenadora da área de Teatro do Oprimido, contou para nós como foi a experiência:

El ciclo “Hacer teatro, hacer política” es organizado por el Centro Cultural Paco Urondo y por el Área de investigaciones en Teatro del Oprimido y Poéticas Políticas del Instituto de Artes del Espectáculo “Dr Raúl H Castagnino”, institución dedicada a la investigación teatral, dependiente de la Universidad de Buenos Aires.

Desde nuestra área tenemos como objetivo realizar investigaciones, recoger experiencias y fomentar actividades alrededor del teatro y la política. Si bien nuestro eje es el Teatro del Oprimido, trabajamos con otras poéticas que explicitan un punto de vista político, tanto en las temáticas que abordan como en las condiciones en las que estos acontecimientos teatrales se producen.

Desde que comenzamos a pensar este ciclo, nos propusimos generar un espacio vivo, que habilite múltiples formas de hacer y de pensar, que nos permita pensar con el cuerpo y hacer con la cabeza, y que genere, en estos tiempos tan necesarios, la posibilidad de producir nuevos sentidos que nos empujen a implicarnos y participar. El arte es nuestra vía principal.

El primer encuentro del ciclo, realizado el día 31 de octubre, tuvo como eje central comparar las poéticas de Augusto Boal y Betolt Brecht, basándonos en el lugar que ambos le dan al rol del espectador, y preguntándonos sobre los aportes hacia adentro y hacia afuera del campo teatral. Compartimos reflexiones y experiencias con Julieta Grinspan y Andrés Lóez Garraza, ambos artistas e investigadres de Brecht y Boal. Nuestro propósito con este ciclo no es organizar charlas o encuentros en donde algunos hablan y otros escuchan, sino que, basándonos en los principios de Boal, queremos generar encuentros en donde circulen los saberes y todas las personas que participan aporten sus ideas.

Al intercambio de reflexiones y algunos conceptos siguieron una serie de ejercicios en donde dinamizamos y profundizamos con el cuerpo las discusiones que se generaron al principio del encuentro.
Participamos alrededor de 25 personas que a lo largo de dos horas produjimos un encuentro enriquecedor con acuerdos, diferencias y preguntas que seguiremos trabajando en las próximas ediciones.”

Mauricio Kartun e o teatro argentino

Em setembro o Instituto Augusto Boal dedicará suas publicações a difusão do Teatro Latino-americano, apresentando diversos grupos e suas conexões com o trabalho de Augusto Boal. Falaremos hoje de Mauricio Kartun, o autor da peça Ala de criados, que será apresentada no SESC Bom Retiro a partir do dia 15 de setembro, sexta-feira, com direção de Marco Antonio Rodrigues e parceria do Instituto Augusto Boal.

Mauricio Kartun é dramaturgo, diretor e professor de dramaturgia. Seu trabalho é de extrema importância para a dramaturgia argentina contemporânea. Suas obras da década de 1980 Chau Misterix, La Castia de los viejos e Cumbia morena cumbia são reconhecidas pela crítica teatral por trabalhar com o realismo reflexivo e utilizar ricos procedimentos teatrais.

Kartun fez parte do grupo teatral argentino El Machete, que encenou em 1973 na extinta Sala Planeta em Buenos Aires a peça “Ay, Ay! No hay Cristo que aguante, no hay!” adaptação de “Revolução na América do Sul”, com a direção de Augusto Boal.

Acervo Instituto Algusto Boal

Mauricio Kartun (à esquerda) e outros em cena da peça “Ay, Ay! No hay Cristo que aguante, no hay!” (1974)

A foto pode ser encontrada em nosso acervo online: http://www.acervoaugustoboal.com.br/

Em 1986 Mauricio Kartun participa a convite de Augusto Boal de um workshop sobre Teatro do Oprimido em Orvelte, norte de Holanda.

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Cecilia Boal, Mauricio Kartun e Augusto Boal em workshop em Orvelte, Holanda.

Kartun continua atuante no teatro argentino e é ganhador de diversos prêmios de dramaturgia. Em 2014 estreou sua peça Terrenal, escrita e dirigida por ele, que continua em cartaz no Teatro del Pueblo em Buenos Aires.