“O cavalo e o santo” e o Teatro Experimental do Negro

Em 1953 o jovem e recém-formado em Engenharia Química Augusto Boal se muda para Nova York para especializar-se em plásticos e petróleo na Columbia University of New York.
 
Augusto Boal já escrevia pequenos textos teatrais relatando a realidade em seu bairro, a Penha Circular, no Rio de Janeiro. Algumas de suas peças foram encenadas pelo Teatro Experimental do Negro (TEN) devido sua aproximação com o fundador do grupo, Abdias Nascimento.
 
Foi através de Abdias que Boal entrou em contato com Langston Hughes, dramaturgo e poeta negro, considerado o “Sheakspeare do Harlem”, figura importante na luta por igualdade racial nos Estados Unidos e essencial para maior aproximação e interesse de Boal pelos estudos em dramaturgia.
 
Em 1954, ainda nos Estados Unidos, Augusto Boal escreveu a peça “O cavalo e o santo”, que foi encenada em novembro do mesmo ano pelo TEN, dirigido pelo jornalista Geraldo Campos de Oliveira.
 
O mesmo texto foi dirigido pelo próprio Boal em 1955 em Nova York com o Writers Group, um grupo de dramaturgia experimental do Brooklin.
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Crítica de “O cavalo e o santo”, peça de Augusto Boal apresentada pelo Teatro Experimental do Negro no Teatro Colombo, escrita por Oscar Nimtzovitch em 19 de novembro de 1954 na Coluna ‘Comédia’ no jornal Correio Paulistano. Documento disponível em nosso Acervo online

Sábato Magaldi e “Laio se matou”

Sábato Magaldi escreve em 1952 crítica sobre a peça escrita por Augusto Boal, “Laio se matou”. A peça foi apresentada pelo Teatro Experimental do Negro em 1958 com direção de Raul Martins.
 
Em 1956, ano do retorno de Augusto Boal dos Estados Unidos, é Sábato Magaldi que sugere ao diretor José Renato que Boal integre a direção dos espetáculos do Teatro de Arena.

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Torquemada no México

A peça Torquemeda, escrita por Augusto Boal durante a prisão durante da Ditadura Militar brasileira, foi encenada no Centro Libre de Experimentación Teatral y Artística de la Universidad Nacional Autónoma de México (CLETA – UNAM) em 1973.

O grupo de teatro venezuelano Rajatabla e seu diretor Carlos Giménez chegou ao México em 1972. Enquanto iniciava a montagem de Torquemada, Carlos Giménez foi deportado, violentamente retirado de sua hospedagem no México e colocado em um avião de retorno a Buenos Aires.

 

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Capa do Programa da peça encenada no México em 1973. Acesse em: http://www.acervoaugustoboal.com.br/

O espetáculo teve sua estréia em maio de 1973 no Foro Isabelino e ficou dois meses em temporada, dedicando as apresentações ao diretor Carlos Giménez.

 Sobre a estreia de Torquemada, Gerardo de la Torre conta em seu livro “Torquemada: contra viento y marea”:

 

A poucos dias da estreia, todo mundo – moças e rapazes cansados, porém cheios de vitalidade – correm, se preocupam em pintar as paredes, colocar a iluminação, varrer os camarins, colocar os botões no figurino. Ensaiam a tarde, de noite e de madrugada, se criticam e se auto-criticam.

Enrique Buenaventura na Feira Latino-americana de Opinião

Em 1972 Augusto Boal dirige na St Clemment´s Church em Nova York, a Feira Latino-americana de Opinião, produzida pelo TOLA (Theatre of Latin America) e baseada na Feira Paulista de Opinião criada pelo Teatro de Arena em 1968.

Um dos dramaturgos participantes foi o colombiano Enrique Buenaventura, que apresentou a peça “A autopsia”. A cena fazia parte de uma série denominada “Os papeis do inferno”, que abordavam diretamente a violência política colombiana.

As cenas descrevem situações cotidianas, mas extremamente violentas no país. São abordadas as múltiplas facetas da administração estatal abusiva, em que a morte, a tortura e muitas violações aos Direitos Humanos seguem sem nenhum tipo de penalização.

“A autopsia” coloca o medo como a principal forma de controle e foca naqueles que, mesmo sem participar de algum tipo de organização política, devem se submeter a ordens de certos comandos. É a história de um pai que precisa fazer a autopsia de um filho assassinado pelo Exército.

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Enrique Buenaventura na primeira sala do TEC (Teatro Experimental de Cali), fundado por ele (1969).

Foto retirada da página do autor: http://www.enriquebuenaventura.org/

 

Torquemada em Buenos Aires

Augusto Boal deixou o Brasil em 1971, após ser liberado do Presídio Tiradentes em São Paulo, onde foi preso e torturado durante a Ditadura Militar brasileira.
 
Em Dezembro de 1971 encenou a peça “Torquemada” na New York University, com alunos da Universidade, em que a figura do inquisidor espanhol Torquemada, conhecido por sua crueldade durante o reino de Aragão e Castela de 1478 a 1494, retoma o sistema corrupto e violento que se instaurava no continente latino-americano.
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Ator em cena de “Torquemada”

Em seguida, Boal e sua família seguiram para o exílio em Buenos Aires, onde residiram até 1976. A peça foi montada e dirigida por ele em Buenos Aires em junho de 1972 no T
eatro do Centro e em outubro do mesmo ano na Sala Planeta. Sobre a apresentação de “Torquemada” em Buenos Aires, Augusto Boal escreveu em seu livro “Hamlet e o filho do padeiro”:
 
“Dirigi Torquemada. Não acreditava no que me havia acontecido. Precisava vê-lo acontecer fora de mim, em cena, para que me pudesse ver, separar-me de mim. Eu e a palavra, eu e o ator. Só assim me entenderia. Não me bastava espelho nem memória: precisava me ver em alguém que me roubasse o nome, o Augusto Boal que eu pensava ser, que trazia colado ao rosto, às mãos, ao peito. Já não sabia quem eu era ou tinha sido. Queria ouvir palavras que pronunciei na tortura. Voz empostada de ator bem treinado reproduzindo gritos roucos. Ver-me, longe de mim. Dirigir-me como dirijo atores.”
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Recorte de publicação de Augusto Boal em “El milagro brasileño – Diario dependiente del State Department”, em Buenos Aires.

“El avión negro” na Feira Latino-americana de Opinião

Uma das peças encenadas na Feira Latino-americana de Opinião em Nova York em 1972 foi “El avión negro”, escritas pelos argentinos Roberto Cossa, Germán Rozenmacher, Carlos Somigliana e Ricardo Talesnik, com prólogo de Ricardo Halac.

A peça é uma conjectura sobre as reações de diferentes setores da sociedade argentina de um possível retorno de Juan Perón, exilado em 1964, a Argentina e foi de profunda importância para o país, principalmente por inaugurar um ciclo de obras de intenções políticas evidentes.

A pesquisadora Laura Mogliani falou sobre a peça no site do Teatro del pueblo, acesse aqui

 

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Foto encontrada no site: http://www.ricardotalesnik.com.ar/

Torquemada na New York University

A peça “Torquemada”, escrita por Augusto Boal durante sua prisão na Ditadura Militar foi encenada e dirigida por ele pela primeira vez em Dezembro de 1971 na New York University, com alunos da Universidade.

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Foto de Mark Kane

 

“Torquemada conta minha vida na cela do Presídio Tiradentes, tenta contar a vida do povo no imenso presídio que transformaram o Brasil”, Boal diz em seu texto “Trajetória de uma dramaturgia”, publicado em 1986 no livro Teatro de Augusto Boal – volume 1 pela Editora Hucitec.

Em 1976 o Itamaraty tenta impedir a encenação da peça mesmo em espaços fora do Brasil e em muitos lugares são planejadas leituras dramatizadas de seu texto em protesto a censura.

Acesse mais fotos de “Torquemada” em nosso acervo:http://www.acervoaugustoboal.com.br/