Março – mês de aniversário do Augusto Boal

Neste mês de março comemoramos o aniversário de Augusto Boal! No intuito de homenageá-lo o Instituto Augusto Boal compartilhará com vocês lembranças importantes de sua carreira artística.

Nascido no bairro da Penha, Rio de Janeiro, começou jovem seus estudos na Faculdade de Química. Sua primeira aproximação com a cultura foi ali mesmo, no Diretório Acadêmico de seu curso onde se candidatou a vaga de Diretor do Departamento Cultural.

Após o término da faculdade, Augusto Boal convence o pai de que tem que fazer uma especialização em química no exterior. Na verdade, Boal já buscava aproximação com o teatro e escolheu ir para onde poderia estudar melhor sua paixão:

“Meu pai me deu direito a um ano de especialização no exterior. Podia estudar um ano inteiro. Engenharia Química, bem entendido. Pensei na França (tinha visto espetáculos franceses no Municipal), e nos Estados Unidos (gostava de O`Neill, Miller, Williams…) Mas teria que estudar petróleos e plásticos misturados com teatro.”

E Boal fez então os seus primeiros voos: teatral e geográfico – foi para os Estados Unidos estudar química e teatro. Foi estudando lá, na Columbia University, que se descobrira dramaturgo.

“Mr. Boal, you are a playwriter!”- disse John Gassner, renomado dramaturgo norte americano e na ocasião professor de Augusto Boal.

Curiosidade: graças a este diploma de especialização em química, mais tarde Boal conseguiu dar aulas na Universidade de Sorbonne, no seu exílio na França.

Trechos grifados tirados do livro Hamlet e o Filho do Padeiro, Memórias imaginadas de Augusto Boal, 2000 e curiosidade compartilhada por Cecilia Thumim Boal.

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Augusto Boal em sua primeira viagem para Nova York. Fotografia disponível em nosso acervo: http://www.acervoaugustoboal.com.br

Flávio Império, cenógrafo do Teatro de Arena

Hoje Flávio Império estaria completando 82 anos.

Boal comenta em “Hamlet, O Filho do Padeiro” que Flávio começou a escrever cenários com ele, no Teatro Arena.

“Maria Teresa Vargas, nossa amiga, conhecia um jovem arquiteto, Flávio Império, que nunca tinha feito cenário mas tinha vasto talento pra pintar e construir com as mãos. Ao contrário de se espantar com a exiguidade, achou desafio. Foi me fazendo perguntas e, quando me dei conta, eu estava falando, ele desenhando.”

No Arena ele criou diversas cenografias de peças dirigidas por Boal como: O Melhor Juíz, O Rei; Um Bonde Chamado Desejo; Arena Conta Zumbi; Arena Conta Tiradentes.

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Juca de Oliveira, Flávio Império, Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri reunidos com o troféu do Prêmio Saci. Foto disponível em:http://www.acervoaugustoboal.com.br/

Riva Nimitz e Teatro de Arena

Riva Nimitz que hoje faria 81 anos iniciou sua carreira no Teatro de Arena nos anos 50.

Fez parte do elenco das peças Ratos e Homens (1956), Marido Magro, Mulher Chata (1957), Juno e o Pavão (1957), Eles Não Usam Black-Tie (1958), Chapetuba Futebol Clube (1959), Gente como a Gente (1959), A Farsa da Esposa Perfeita (1959), Revolução na América do Sul (1960), O Testamento do Cangaceiro (1961) e A Mandrágora (1962). Algumas delas dirigidas por Boal.

 

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Riva Nimitz e Geraldo Ferraz em cena em Marido Magro, Mulher Chata. Disponível em: http://www.acervoaugustoboal.com.br/

Chico de Assis

Chico de Assis chegou ao Teatro de Arena de São Paulo em 1958. Trabalhou como ator e fez parte da fundação do Seminário de Dramaturgia criado pelo grupo.

Sua peça de estreia no grupo foi “A mulher do outro”. Em seguida, participou de “Eles não usam Black-tie”, “Chapetuba Futebol Clube” e “Gente como a gente”. Foi assistente de direção de José Renato em “Revolução na América do Sul”.

Em 1961 escreveu “O testamento do cangaceiro”, dirigido por Augusto Boal e vetado pela Comissão Municipal de Cultura de Santos (SP) durante o II Festival Brasileiro de Teatro na cidade. Em seguida, escreve “A aventura de Ripió Lacraia” e “Farsa com cangaceiro truco e padre”, que formam uma trilogia sobre literatura popular de cordel.

Hoje, Chico de Assis completaria 84 anos.

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Chico de Assis e Sadi Cabral em “A mulher do outro” (1958)

Milton Gonçalves

Milton Gonçalves ingressou no Teatro de Arena de São Paulo em 1956 com a peça “Ratos e homens”, dirigida por Augusto Boal. O ator foi fundamental no início do grupo e na formação do Seminário de Dramaturgia.

Com o Teatro de Arena, atuou também nas peças”Eles não usam Black-Tie” (1957), “Chapetuba Futebol Clube” (1959), “Gente como a gente” (1959), “Revolução na América do Sul” (1960), “Pintado de Alegre” (1961), “O Testamento do Cangaceiro” (1961), “A Mandrágora” (1962) e “Arena Conta Zumbi” (1963).

Com 60 anos de carreira, comemoramos hoje os 84 anos de Milton Gonçalves e sua imensa contribuição para o teatro brasileiro.

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Milton Gonçalves e Flávio Migliaccio em cena de “Revolução na América do Sul” (1960)