Augusto Boal sobre Sambópera

“Quando comecei a dirigir este espetáculo, ficou patente que o uso dos nossos instrumentos, ritmos e danças, não era apenas um recurso formal episódico: estávamos penetrando em uma área de pesquisa estética mais profunda, que não se contentava com a simples troca de roupagens musicais. O mestre e maestro Marcos Leite, diretor musical e orquestrador, criou uma versão nossa daquela ópera universal, sem medo de uma “Habanera” em tango negro, ou um “Goleador” de cuíca e tamborim.
A ideia de “cultura pura” é abstração, puro “conceito” sem existência concreta. Tentativas de se preserver a “pureza” cultural são vãs, como a pureza étnica. As culturas dialogam, importam e exportam: formam-se, às vezes, “combinações”, onde algo totalmente novo surge e outras vezes “amálgamas”, onde certos elementos conservam parte de sua individualidade.
A este novo gênero, que aqui inauguramos, deveria corresponder um novo nome: é preciso nomear o que existe para que sua existência se torne visível. Por isso, optamos por chamar nosso espetáculo de “Sambópera”. É duas vezes seu nome: é opera e é musical brasileiro. No “Sambópera” misturam-se ritmos, melodias, cores e culturas: mas o coração é um só!”
Trecho selecionado de texto do Augusto Boal contido no programa da peça Carmen, Sambópera.
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Na foto Cláudia Ohana e Marcelo Escorel em cena. Fotografia de Cláudia Ribeiro disponível em nosso acervo: http://www.acervoaugustoboal.com.br

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