Victor Zavala Cataño e o Teatro Campesino

Em Setembro o Instituto Augusto Boal dedicará suas publicações a difusão do Teatro latino-americano, apresentando diversos grupos e suas conexões com o trabalho de Augusto Boal. Hoje falaremos de Víctor Zavala Cataño, que revolucionou a cultura peruana dos anos de 1960 e 1970.

Victor está ligado à história do movimento de Teatro Popular no Peru e é o criador do Teatro Camponês no país, tornando o homem do campo o protagonista de seu teatro.

Em 1969 publicou o livro “Teatro Campesino”, que contém sete obras teatrais: o Galo, a Galinha, A Junta, O Colar, O Turno, O Arpista e O Carregador.  As peças incluem monólogos, pantomimas, dança e música, todas a partir de manifestações populares peruanas. Os cartazes e a atuação também se tornam instrumentos ativos de drama, permitindo que o espectador se distancie.

O Teatro campesino é publicado em 1969 como um reflexo da segunda grande onda do movimento camponês do século XX nos Andes do Peru. 500 mil camponeses se movimentaram em defesa de suas terras na zona de Junin, Carro de Pasco e Ayacucho, principalmente. O grupo de teatro popular de Teatro camponês se iniciou em 1970 em choque com a política do governo militar e sua chamada reforma agraria. Após seu surgimento, muitos outros grupos de teatro surgiram com o tema do teatro camponês. Sua repercussão dentro dos movimentos camponeses foi de grande abrangência.

O principal interesse da obra de Zavala é a participação do público no desenvolvimento cultural, social e político do país e, para isso, aplica as expressões desse mesmo público aos meios artísticos. Em cada etapa do Teatro Campesino, é feito um fato, uma denúncia e uma crítica sobre a condição social do camponês peruano. A permanência, a figura e o perfil estético social de Zavala Cataño foram sempre os mesmos, com base na problemática do campo.

Zavala foi detido como preso politico em junho de 1991 e condenado a 25 anos de prisão, deixou o cárcere em junho de 2016 aos 84 anos.

Você pode ter acesso a mais material sobre o dramaturgo com uma entrevista exclusiva no blog: http://teatrocampesino.blogspot.com.br/2011/04/libertad-para-el-fundador-del-teatro.html

el gallo

Gravura retirada do livro Teatro Campesino

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