Teatro do Oprimido no cárcere

Augusto Boal, Julita Lengruber e Paul Heritage no tempo do governo de Nilo Batista, organizaram um programa de Direitos Humanos no sistema carcerário no Rio de Janeiro que logo se estendeu a outros estados. No programa eram utilizadas basicamente as técnicas do Teatro do Oprimido. Julita era super intendente das prisões do Estado do Rio, eram outros tempos ​.

​E​m matéria publicada em 2006 no jornal O Globo, Boal relata um pouco deste processo: As prisões fora do cárcere
Há poucos dias atrás Silvia Ramos, cientista social e pesquisadora da equipe de Julita Lengruber na Universidade​ Cândido Mendes, conheceu em um seminário sobre esse assunto em Guarulhos Igor Rocha, agente penitenciário ​que participou dessa experiência com Boal. Ele disse para ela o quanto a sua própria vida foi transformada por esse processo.
Transcrevemos aqui o seu relato:

“Meu nome é Igor Rocha, sou agente de segurança penitenciário há 20 anos e comecei a minha vida no teatro entre 2003 e 2004, com as técnicas do Boal de Teatro do Oprimido  realizado dentro do cárcere.  Ivete Barão, psicóloga do sistema prisional, me chamou para trabalhar com teatro depois que passei por rebeliões e por depressão dentro do cárcere. Quando disse que ia trabalhar com teatro me chamaram de “viado”. Eu estava muito deprimido, tomando medicamentos fortes e foi aí que conheci Boal e ele transformou a minha vida, parei de tomar os medicamentos graças​ ao teatro. Ele salvou minha vida, posso dizer para vocês. Depois de muitos anos, em 2010, decidi compartilhar com os presos e com os funcionários esta vivência de transformação através da arte. E Boal foi inspirador com uma simples frase: “Para de se vitimizar!”. Ele falou isso pra mim e isso me aprofundou muito, fez ver os problemas dos outros que eram maiores que os meus. Eu tenho os meus monstros mas Boal fez com que eu cuidasse destes monstros. Ele vai ficar comigo, Boal para sempre, que Deus o tenha.”

​Obrigado Igor Rocha! Monstros temos todos mas não precisam tomar conta da gente.

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