Cia. Ocamorana debate história política recente em Três Movimentos

Foto de Adriana Balsanelli

Foto de Adriana Balsanelli

A Cia. Ocamorana debate os avanços e refluxos da história política recente do Brasil na peça Três Movimentos, que terá apresentações neste fim de semana no Centro Cultural São Paulo, como parte da programação especial O imaginário dos 50 anos do golpe.

Dividida em três partes, a peça aborda as décadas de 1970, 1990 e o período atual – cada uma delas apontando para um horizonte político e para os caminhos possíveis para a luta.

“A primeira etapa trata das possibilidades programáticas que se apresentavam na década de 1970”, explica o diretor e dramaturgo Márcio Boaro. Os diferentes quadros se relacionam às principais vertentes da política de esquerda na resistência à ditadura e na construção de um movimento amplo de trabalhadores: dois casais clandestinos discutem seus medos e a sede de transformação em sua atividade em bairros populares e nas fábricas; a ação organizada de um grupo de mulheres impede que uma greve no ABC seja violentamente reprimida pela polícia e confere uma grande vitória ao movimento operário; o julgamento do assassino do líder operário e popular Santo Dias, militante da Teologia da Libertação, escancara a injustiça que fundamenta o regime militar.

O segundo movimento da peça expõe a chegada do neoliberalismo e sua consolidação como forma hegemônica do capital, nos anos 1990. O veterano funcionário de uma grande corporação, às vésperas da aposentadoria, é obrigado a decidir: ou é demitido imediatamente ou abre uma empresa que prestará serviços para o próprio grupo. O trabalhador aceita virar patrão de si mesmo, mas, com o passar dos anos, os ganhos mantidos em patamar muito baixo por pressão da corporação inviabilizam a continuidade de suas atividades. A sistematização do processo já se encontra em fase avançada e ele nada pode fazer para mudá-la.

O imobilismo gerado pelo poder neoliberal, entretanto, é contraposto pela última parte da peça. A cena narra a ocupação de uma escola pública, após anos de abandono. A comunidade planeja administrá-la de forma democrática e participativa, mas o projeto, marcado pela multiplicidade de propostas, acaba encerrado por determinação da Justiça.

A peça termina aí, sem apontar caminhos, mas de forma a promover a reflexão política a partir da comparação entre os programas e as possibilidades do passado recente e com o horizonte do Brasil de hoje. “No momento atual, se não é possível dizer que há um retorno das utopias, o neoliberalismo também já não aparece como algo incontestável”, conclui Boaro.

Serviço

Três Movimentos

Cia. Ocamorana

De 11 a 13/4 

Sexta e sábado, às 21h; domingo, às 20h

Espaço Cênico Ademar Guerra

Centro Cultural São Paulo

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