Carta de Cacilda Becker à censura

Em 1968, o Teatro de Arena de São Paulo organizou a Primeira Feira Paulista de Opinião, reunindo dramaturgos, compositores, artistas plásticos e cineastas. A montagem era composta de seis peças, de autoria de Lauro César Muniz, Augusto Boal, Gianfrancesco Guarnieri, Jorge Andrade, Bráulio Pedroso e Plínio Marcos.

O texto foi encaminhado para análise da censura, que demorou muito tempo para se manifestar – procedimento que, de acordo com pesquisadores do teatro feito na época da ditadura, era comumente empregado para inviabilizar as apresentações.

Como tardava a vir uma resposta, a atriz Cacilda Becker, então presidente da Comissão Estadual de Teatro de São Paulo, redigiu carta endereçada ao general José Bretas Cupertino, chefe do Departamento de Polícia Federal, solicitando a liberação integral da peça, “sem a mutilação de qualquer de suas partes”.

O documento pode ser visto neste link: Carta de Cacilda.

Por fim, os censores cortaram 65 das 80 páginas da Feira – e uma grande articulação de artistas foi organizada para denunciar a proibição e apresentar trechos das peças. No grande ato organizado no Teatro Ruth Escobar, foi Cacilda Becker quem tomou a palavra para ler um manifesto dos artistas contra a censura no Brasil.

 

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