2ª Feira Paulista de Opinião: o teatro pensa sobre o Brasil

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Por Eduardo Campos Lima

A 2ª Feira Paulista de Opinião ou 1ª Feira Antropofágica de Opinião reuniu, nos dias 15 e 16 de fevereiro, 20 grupos teatrais de São Paulo, além de músicos, coletivos audiovisuais e poetas. No encontro houve, além disso, o lançamento em São Paulo da nova edição do livro Teatro do Oprimido e Outras Poéticas Políticas, de Augusto Boal.

O evento, organizado pela Cia. Antropofágica, inspirou-se na Primeira Feira Paulista de Opinião, do Teatro de Arena, dirigida por Boal em 1968 – um marco na resistência cultural ao Regime Militar. Às vésperas do aniversário de 50 anos do golpe, a Feira Antropofágica integrou o calendário de descomemorações que a esquerda estabeleceu para este ano.

Mário Masetti, Dulce Muniz, Izaías Almada, Umberto Magnani e Cecília Thumim Boal, que integravam o Arena em 1968, estiveram presentes e narraram aos participantes suas memórias da luta contra a ditadura e do trabalho do Teatro de Arena de São Paulo.

“Foi fundamental essa reunião de pessoas que fizeram teatro engajado em 1968 com as novas gerações. Para muitos, a impressão era de que aquilo era uma página virada e não aconteceria de novo. Constatou-se que, enquanto houver contradições sociais tão intensas, esse tipo de iniciativa vai ocorrer”, define Thiago Vasconcelos, diretor da Cia. Antropofágica.

As pequenas peças apresentadas pelos coletivos teatrais procuraram responder a seguinte questão: o que pensa você do Brasil hoje? Nos trabalhos, surgiram temas como a repressão policial a jovens das periferias e manifestantes de esquerda, o papel das elites brasileiras na perpetuação da desigualdade social e as contradições da vida dos trabalhadores nas grandes cidades.

“Foram elaborações das crises que estamos vivendo: crise social, crise de representação na esquerda e crise do capital, com acirramento das forças de repressão. O teatro tem sido pressionado a pensar sobre essas questões”, aponta Vasconcelos.

Frente política de artistas

Segundo o diretor, as formas do teatro de feira, teatro de variedades e teatro de rua, que fundamentaram muitas das apresentações – e são gêneros populares que muitos julgam superados, em uma época de hegemonia dos experimentos pós-dramáticos – possibilitaram avanços críticos importantes e conseguiram estabelecer diálogo produtivo com os espectadores.

Não houve espaço para debates públicos entre os grupos de teatro presentes, mas nos próximos dias a Antropofágica fará uma chamada ampla para que todos os participantes se reúnam novamente e façam uma avaliação coletiva. “Temos de pensar na estratégia da categoria e nas lutas sociais, daqui para frente”, diz Vasconcelos.

O grupo tem a intenção de planejar novas edições da Feira, com mais coletivos envolvidos. “Também é preciso que isso se transforme em uma ação nacional e latinoamericana, que foi a proposta da feira original. Há interesse, em diversas regiões, de que isso seja feito”.

Como parte da Feira Antropofágica, ainda será lançada uma publicação especial sobre os eventos – o de 1968 e o de agora – e um CD com as canções apresentadas. “Gostaríamos de incluir as músicas da Primeira Feira, mas há a questão dos direitos autorais – não sabemos se haveria liberação ou não”, conclui Thiago Vasconcelos.

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