Críticos mui cordiais

Fiéis seguidores do blog do Instituto A. Boal, se vocês têm um tempinho, divirtam-se lendo  essas duas críticas teatrais. A primeira foi escrita em 1981 por Yan Michalski no Jornal do Brasil, sobre a peça A Tempestade com texto de Augusto Boal. A segunda, da toda poderosa Bárbara Heliodora, refere-se a O Patrão Cordial, de Sérgio de Carvalho, atualmente em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro.

É interessante notar as semelhanças na linguagem, embora tenham-se passado mais de trinta anos. Os dois críticos coincidem em dizer que os espetáculos apresentam “discurso panfletário”, “superado”, “caricato”, “inaceitável”, “maniqueista”, e uma “linguagem defasada”.

Bárbara qualifica o Patrão de “obra antiquada”, oferecendo uma “crítica sociopolítica simplória” e uma “expressão dramática pobre e repetitiva”. Yan escreve que a obra do Boal “reduziu (…) a um esquematismo (…) ineficiente (…) uma realidade tão infinitamente mais complexa”. Segundo Bárbara, a obra do Sérgio “reduz tudo a uma simplificação quase de história em quadrinhos”.

Mudamos de século, mas os críticos utilizam a mesma linguagem para se referir à espetáculos focados em preocupações políticas e sociais.

O que houve com os críticos? Será que em trinta anos não evoluiram nada?

A TEMPESTADE - YAN MICHALSKIArtigo O Globo

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