É ARTE E CARNAVAL! A BARRA DA TIJUCA APRESENTA O TEATRO DO OPRIMIDO NA VIDA REAL

Em 2003 a Acadêmicos da Barra da Tijuca homenageou Boal e o Teatro do Oprimido. Compartilhamos com vocês a letra e o link do vídeo no youtube para acompanhar e cantar o samba enredo!

“A vida é o cenário desta trama
E o povo, nosso artista principal
Palavras e gestos unidos
Surge em ritos primitivos
A linguagem teatral
Na Grécia, o teatro vai às ruas
Porque o artista vai aonde o povo está
Vem amor… Divino Baco vem brindar orgias
Realizando fantasias, embriagando corações
Festa e dor… Em Roma o coliseu e as multidões
A opressão do elitismo, ditames e imposições

Roda o mundo pra chegar – de lá pra cá
Vem das terras de além mar – catequizar
Reza índio! Reza negro!
Eita povo rezadeiro!
São as origens do teatro brasileiro

Meu canto traz um tom de encanto
Tenho a minha “opinião”
Do teatro de revista ao teatro de arena
O esplendor de uma nação…
(meu Brasil)
Ó! Meu Brasil “trigueiro”
Teu solo viu nascer a obra de “Boal”
Respeite o meu pandeiro
Que embala a voz do oprimido contra o mal
Sou Zé-Ninguém! Eu sou de arrepiar!
(bravo!)
E roubo a cena nessa festa popular

Agora bate o tambor
Vem balançar!
Abre a cortina que eu vou
Me apresentar!
É arte, é carnaval, vem sambar!
Pode aplaudir que a Barra vai passar”

Acesse no youtube o  SAMBA ENREDO ACADEMICOS DA BARRA DA TIJUCA 2003

BOAL NO CARNAVAL!

O Instituto Augusto Boal está em clima de Carnaval. Vamos comemorar esta data relembrando momentos importantes vividos por Boal em outros carnavais!Uniao_da_Ilha_2000_Pra_Nao_Dizer_Que_Nao_Falei_Das_Flores.gif

No ano 2000, Augusto Boal foi convidado para desfilar pela União da Ilha no carro alegórico “O Barco da Volta” que homenageava os artistas exilados políticos.

Em sinopse sobre o enredo do ano 2000 da União da Ilha de nome “Pra não dizer que não falei das flores”, encontramos as explicações para o convite ter sido dirigido à Boal:

“Nossa principal intenção é destacar o impulso criativo sugerido nas artes, em função da ditadura militar imposta no período de 1964 a 1984.

A dureza deste regime fez surgir no campo das artes a necessidade de defender nossas características culturais, e retomar o poder das mãos dos militares. Surgiu então, uma produção artística ( música, literatura, artes plásticas, cinema, teatro ) que combinava ousadia e determinação, evidenciando a postura de esquerda dos artistas.
A resposta dos militares foi imediata: Livros foram queimados, teatros invadidos, atores agredidos, letras de músicas, jornais e filmes proibidos!

A Censura era implacável, chegando a atingir até obras clássicas.

Em meio a tanta severidade, as forças armadas continuavam a espancar os estudantes no meio da rua, cujo entusiasmo político, e espirito de luta traziam novas idéias e novos comportamentos.  Muitas prisões aconteceram, seguidas de torturas e humilhações. Muitos desapareceram após serem presos e barbaramente torturados. Ninguém estava a salvo desta caçada – desde as personalidades mais respeitáveis, até o mais humilde cidadão. Os artistas continuaram através de suas obras a reagir contra a ditadura. Um grupo de artistas optou pelo deboche e pela ironia para enfatizar uma alienação dirigida ( Movimento Tropicalista ), outros, de forma mais contundente, denunciaram as ilegalidades.  (…)

O teatro teve um papel muito importante no sentido de trazer ao público a consciência dos fatos. Como principais espetáculos deste período destacamos:
1964 : ” Opinião”, simbolizando o nacionalismo do espetáculo, bem como a valorização do povo como autêntica fonte de cultura. 1965 : ” Arena conta Zumbi” Gianfrancesco Guarniere e Augusto Boal, com música de Edu Lobo, Ruy Guerra e Vinícius de Moraes. Dramatizando o episódio histórico do Quilombo dos Palmares, que sobreviveu no longo período de 1630 a 1694, mas em realidade criticando o regime imposto no país.
1967 : ” Arena conta Tiradentes”, a História da Inconfidência Mineira, fazendo um paralelo com a situação do Brasil naquele momento.
1968 : ” 1° festival Paulista de Opinião”, um conjunto de peças de 6 autores.”

Informações sobre o enredo encontradas no link: http://www.galeriadosamba.com.br/carnavais/uniao-da-ilha-do-governador/2000/25/

O PALAVRÃO: EIS A QUESTÃO

O uso dos palavrões (e a censura deles) nas peças de teatro virou uma questão depois que uma deputada Conceição da Costa Neves denunciou o uso de palavrões na peça “Roda Viva” em 1968, dizendo que esta atacava “a moral e os bons costumes”. A Classe Teatral não deixou barato a denúncia. Além do Manifesto Contra o Palavrão, já postado anteriormente no blog, a classe teatral convocou um debate, conforme podemos ver na notícia abaixo, para reclamar seus direitos. Augusto Boal esteve presente neste debate.

AB.ARVrj.001.1

Imagem de jornal disponível em nosso acervo: http://www.acervoaugustoboal.com.br

MANIFESTO CONTRA O PALAVRÃO

Em 1968, no ano da Feira Paulista de Opinião, a Classe Teatral escreveu um Manifesto Contra o Palavrão, ironizando a censura. Eles contestavam contra os palavrões: DITADURA, CENSURA, ANALFABETISMOS, ACORDO MEC-USAID, FOME, ARROCHO SALARIAL, NAPALM, APOSENTADORIAS DOS DEPUTADOS e LATIFÚNDIO.

Hoje, 2018, 50 anos depois, contra quais palavrões devemos lutar?

Manifesto contra o palavrao

Teatro declara guerra à Censura

Matéria de Jornal A Gazeta do 12 de junho de 1968 sobre articulação do Arena contra censura e repressão política na montagem da Feira Paulista de Opinião. A reportagem também relata a prisão de um estudante no teatro Galpão.

AB.AFOj.001.5

“MOVIMENTAÇÃO

Os artistas e diretores reuniram-se, então, no “plenarinho” da Assembleia Legislativa, com os deputados que apoiam o seu movimento, decidindo, a partir daí, evoluir para uma posição de briga, pois, segundo Augusto Boal, responsável pela encenação, os artistas brasileiros “estão deixando de ser os bobos da corte e não aceitarão mais a interferência da Censura, quase sempre descabida e sem nexo”. (…) Continuar lendo

“A Polícia também foi ao teatro sábado”

“Sábado, a polícia não deixou que a “I Feira Paulista de Opinião” fôsse encenada no Ruth Escobar: ocupou o teatro. Mas a peça foi levada “de qualquer jeito”, como protesto, no Maria Della Costa.

A Polícia Federal passou quase toda a noite de sábado na porta do Teatro Ruth Escobar, mas não conseguiu impedir a encenação da I Feira Paulista de Opinião, peça em que a Censura Federal fez 84 cortes.

O espetáculo, de protesto, foi considerado pela classe teatral uma “desobediência civil” às determinações da Censura: ninguém concorda com os cortes da peça e a classe teatral decidiram às seis horas da tarde de sábado, no Teatro Ruth Escobar, apresentar o espetáculo “de qualquer jeito” e afirmaram que continuarão levando a peça em vários lugares, ainda que ela seja proibida.

Na assembleia do Ruth Escobar, os artistas lembraram que a peça foi levada a Brasília há dois meses, para ser julgada pela Censura. Mas no dia da estreia ela ainda não tinha sido liberada. Então, eles resolveram fazer um ensaio geral, mostrando o espetáculo para o maior número possível de pessoas. Continuar lendo